O Alentejo registou em 2024 o crescimento mais baixo do Produto Interno Bruto (PIB) entre todas as regiões do país, com uma variação real de apenas 1,1%, abaixo da média nacional de 2,1%. Os dados constam das Contas Regionais divulgadas pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), relativas a 2023 (valores finais) e 2024 (valores provisórios).
Em termos nominais, o PIB do Alentejo cresceu 4,5% em 2024, fixando-se em cerca de 12 mil milhões de euros, o que representa 4,2% do PIB nacional. Apesar de todas as regiões terem registado crescimento, o Alentejo apresentou o desempenho mais fraco tanto em valor como em volume.
Indústria e serviços penalizam crescimento regional
De acordo com o INE, o crescimento económico menos expressivo do Alentejo em 2024 ficou a dever-se, sobretudo, à redução do Valor Acrescentado Bruto (VAB) em vários ramos relevantes da economia regional. A indústria e energia registaram uma quebra de 2,3%, as atividades imobiliárias diminuíram 2,1% e o comércio, transportes, alojamento e restauração recuaram 0,6%.
O Alentejo foi a única região do país onde estes três ramos apresentaram contributos negativos simultâneos para a evolução do PIB regional, condicionando o desempenho global da economia.
Crescimento limitado já em 2023
Os resultados finais de 2023 confirmam igualmente um crescimento económico modesto no Alentejo. Nesse ano, o PIB regional aumentou apenas 0,5% em termos reais, o valor mais baixo entre todas as regiões portuguesas, apesar de um crescimento nominal de 9,9%.
O INE indica que este resultado foi influenciado por uma forte subida dos preços, com uma variação de 9,3%, o que reduziu o impacto do crescimento nominal em termos reais. A quebra do VAB da indústria e energia, que caiu 6,6%, teve um peso significativo, com destaque para a diminuição da atividade na indústria química, petrolífera e extrativa.
Produtividade e rendimento das famílias
Em 2023, a produtividade do trabalho no Alentejo diminuiu 1,7%, contrariando a tendência nacional de crescimento. Este recuo resultou de um aumento do emprego não acompanhado por uma evolução equivalente do VAB real.
Apesar disso, o Alentejo destacou-se no rendimento das famílias. O Rendimento Disponível Bruto (RDB) cresceu 11,1%, acima da média nacional, colocando a região entre as que registaram maior crescimento deste indicador. Em termos per capita, o RDB no Alentejo situou-se acima da média do país.
Investimento com crescimento acima da média
No que respeita ao investimento, medido pela Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), o Alentejo apresentou em 2023 um crescimento de 15,5%, um dos mais elevados do país. Este aumento foi impulsionado sobretudo pelo investimento na indústria e energia e na administração pública, defesa, saúde e educação.
O contributo do Alentejo para o crescimento nacional do investimento foi de 0,8 pontos percentuais, refletindo um dinamismo superior à média neste indicador, apesar do desempenho mais fraco ao nível do crescimento económico global.
Alentejo mantém posição intermédia na coesão regional
Em termos de coesão regional, o PIB per capita do Alentejo manteve-se abaixo da média nacional, mas acima de várias regiões. Em 2024, o índice de PIB per capita em paridades de poder de compra situou-se em 77,1% da média da União Europeia, valor idêntico ao de 2023.
No contexto nacional, o Alentejo continua a apresentar uma disparidade interna significativa, resultante das diferenças entre o Alentejo Litoral e o Alto Alentejo, embora essa desigualdade tenha diminuído face ao ano anterior, segundo o INE.



















