Os credores da empresa tecnológica Decsis, sediada em Évora, vão decidir o futuro da sociedade no dia 13 de novembro, sendo a liquidação o cenário mais provável, revelou hoje o administrador de insolvência.
Em declarações à agência Lusa, o administrador de insolvência da Decsis, Bruno Costa Pereira, indicou que a maioria dos cerca de 200 trabalhadores já saiu, apontando que “a única solução a dar à empresa é a liquidação do seu ativo”.
“Vai ser proposto aos credores que a empresa se mantenha com atividade aberta por causa do Centro de Dados que vai manter-se em operação e que se liquide o seu ativo, o Centro de Dados e os ativos imobiliários, para se pagar aos credores”, salientou.
O responsável referiu que a Decsis “era uma empresa que vivia da prestação de serviços e do acesso a crédito comercial para comprar equipamentos [informáticos] que lhe permitissem depois aplicar e cobrar aos seus clientes”.
“Num cenário em que tudo acabou da noite para o dia”, com a conotação da Decsis à “Operação Nexus”, da Polícia Judiciária (PJ), os parceiros “cortaram imediatamente todos os créditos e a empresa ficou impossibilitada de operar”, explicou.
Segundo os agendamentos disponíveis no portal de justiça Citius, consultado pela Lusa, a assembleia de credores realiza-se no dia 13 de novembro, às 14:00, nas instalações do Tribunal Judicial de Évora.
Entre os credores, estão vários bancos, empresas, instituições e funcionários.
A Decsis foi declarada insolvente pelo Tribunal de Évora a 15 de setembro deste ano, após ter avançado com o pedido na justiça devido a problemas graves de tesouraria, provocados por conotação com a “Operação Nexus”.
Em meados de setembro, numa resposta a questões colocadas pela Lusa através de correio eletrónico, a administração da Decsis indicou que a “Operação Nexus” teve “impacto imediato” na empresa, apesar de esta não ser visada na investigação.
O administrador de insolvência disse hoje que a empresa mantém apenas os trabalhadores do Centro de Dados localizado em Évora, o único negócio em pleno funcionamento, e que a maioria suspendeu ou rescindiu os contratos por justa causa, por salários em atraso.
Houve ainda um grupo de 50 funcionários que trabalhava num centro de assistência técnica de uma multinacional explorado pela Decsis que transitou para outra sociedade, que assumiu o pagamento integral dos seus salários, assinalou.
Sobre o contrato de prestação de serviços com a Comunidade Intermunicipal do Alentejo Central (CIMAC), Bruno Costa Pereira indicou que a Decsis ficou sem capacidade para o cumprir, pelo que a posição contratual foi cedida a outra empresa para evitar perturbações.
Já o passivo total da empresa ronda os 10 milhões de euros, dos quais 6,5 milhões estão nas mãos de credores sem relação com a Decsis e os restantes 3,5 milhões são a empresas relacionadas, acrescentou o responsável.
A “Operação Nexus”, realizada em 08 de julho, investiga alegados crimes de corrupção e fraude na aquisição de sistemas informáticos por universidades e escolas públicas financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).
No dia em que decorreu, a PJ divulgou a detenção de seis pessoas, concretamente um administrador e três funcionários de uma empresa tecnológica, um funcionário de uma empresa concessionária e um funcionário público.



















