Covid-19: Câmara de Évora volta a adiar Feira de São João

Feira de São João

A Feira de São João, em Évora, que estava prevista decorrer na segunda quinzena de junho, foi cancelada, pelo segundo ano consecutivo, devido à pandemia da covid-19, revelou hoje o presidente da câmara municipal.

Não vemos condições sanitárias para a realização de um evento como este, aberto a milhares de pessoas”, afirmou o presidente do Município de Évora, Carlos Pinto de Sá, em declarações à agência Lusa.

O autarca indicou que a decisão foi tomada com base nos dados das autoridades de saúde e da ‘task force’ que coordena o plano vacinação, sublinhando que “não está garantida a imunidade de grupo antes do final do verão, na melhor das hipóteses”.

A proposta para o cancelamento da edição deste ano da Feira de São João, que inclui os festejos locais do S. João e do S. Pedro (padroeiro da cidade), foi aprovada, por maioria, na mais recente reunião de câmara.

O vereador do PSD, José Policarpo, o único que não votou a favor da proposta e optou pela abstenção, explicou à Lusa que defendia que a decisão sobre a realização feira devia ser tomada mais tarde, sugerindo a possibilidade de ser organizada uma outra iniciativa em setembro, caso fosse decretada a imunidade de grupo.

Organizado pela câmara, em parceria com várias instituições, o certame, um dos mais antigos e tradicionais da região, com quase 500 anos, realiza-se, anualmente, na segunda quinzena de junho, no Rossio de São Brás, “às portas” do centro histórico.

Com o cancelamento da edição deste ano do certame, o presidente do município adiantou que a autarquia vai agora discutir internamente “uma forma de assinalar a Feira de São João” durante o período em que esta se deveria realizar.

Já há um conjunto de propostas em cima da mesa, mas ainda não temos decisões tomadas”, realçou, frisando que terá de ser encontrada uma alternativa que “seja compatível com as questões de segurança e sanitárias”.

Pinto de Sá reconheceu que a população encara o cancelamento com “imensa tristeza”, uma vez que o evento é um dos “pontos altos” do concelho, e, ao mesmo tempo, com “compreensão”, porque “todos acharão que é mais seguro a não realização da feira”.

Estamos preocupados [sobre] se este desconfinamento não pode vir a trazer, depois, um posterior agravamento da situação, que poderá refletir-se no período de finais de abril e durante os meses de maio e junho”, acrescentou.

Criada por alvará de D. Sebastião, a feira realizou-se pela primeira vez a 24 de junho de 1569.