Consulta pública sobre Confeção do Tapete de Arraiolos é “importante”, diz Autarca

Tapete de arraiolos

A presidente da Câmara de Arraiolos (Évora), Sílvia Pinto, considerou hoje “importante” que a inscrição da confeção do Tapete de Arraiolos no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial esteja em processo de consulta pública.

O processo de inscrição está desde hoje em consulta pública, segundo um anúncio publicado em Diário da República (DR).

“Nós ficámos muitíssimo satisfeitos, é um passo muito importante para o tapete de Arraiolos. Era algo que nós ambicionávamos há já algum tempo e, finalmente, estamos a ver o processo a ter o seu desenvolvimento”, disse a autarca, em declarações à agência Lusa.

“Nada melhor do que no dia da abertura da iniciativa “O tapete está na rua” para receber esta notícia”, acrescentou.

A autarca explicou ainda que este é “mais um passo” rumo ao “objetivo final”, que passa por candidatar o tapete de Arraiolos a Património Cultural Imaterial da Humanidade, pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).

No DR, o processo de inscrição da confeção do tradicional Tapete de Arraiolos no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial está datado do passado dia 24 de maio e foi assinado pela subdiretora-geral do Património Cultural, Rita Jerónimo.

Segundo esta comunicação da Direção-Geral do Património Cultural (DGPC), o processo de consulta pública que agora se inicia vai decorrer durante 30 dias e a decisão será tomada no prazo de 120 dias após a conclusão do período da consulta pública.

Na página da Internet do sistema MatrizPCI, onde estão disponíveis para consulta os elementos do processo de inventariação da confeção do Tapete de Arraiolos, pode ler-se que o proponente é a Câmara de Arraiolos.

“As observações em sede da presente consulta pública poderão ser apresentadas, de forma desmaterializada, através daquele sistema, podendo igualmente, em alternativa, ser endereçadas, em correio registado, à DGPC”, assinala ainda o anúncio.

A publicação em DR do anúncio sobre o início desta consulta pública acontece no mesmo dia em que começa, em Arraiolos, no distrito de Évora, um certame de promoção desta genuína tapeçaria local.

Organizado pela Câmara de Arraiolos, o certame denominado “O tapete está na rua” volta a realizar-se depois de a edição de 2020 ter decorrido em formato ‘online’, devido à pandemia de covid-19.

Esta edição prolonga-se até domingo e inclui, como era habitual antes da pandemia, uma mostra de tapetes estendidos nas ruas e praças e pendurados nas portas, janelas, varandas e nos edifícios mais característicos da zona ‘nobre’ de Arraiolos.

Fonte do município indicou à agência Lusa que a organização do certame decidiu “evitar a realização de atividades e iniciativas que levem à concentração de pessoas”, pelo que não estão previstos concertos e a animação de rua será itinerante.

A autarquia apelou ao “cumprimento das recomendações das autoridades de saúde”, tendo em conta a pandemia de covid-19, esperando que a realização do certame possa “contribuir para a retoma da economia local”.

A par da mostra de tapetes, o programa da iniciativa inclui exposições, recriações históricas, animação de rua, mostra de artesanato e produtos locais, feira do livro e ‘workshops’.

Do Tapete de Arraiolos, bordado a lã sobre tela, conhecem-se referências já desde os finais do século XVI (1598), com origem na vila alentejana com o mesmo nome, povoada no princípio do mesmo século por mouros e judeus, expulsos da mouraria de Lisboa por D. Manuel I.

Segundo investigações históricas, as famílias ali fixadas encontraram abundantes rebanhos de boa lã e diversidade de plantas indispensáveis ao tingimento e fabrico das telas onde são manufaturados os tapetes, empregando a técnica do ponto cruzado oblíquo, denominada “Bordado de Arraiolos”.