A Universidade de Évora recebeu, esta quinta-feira (16 de janeiro), uma das três sessões públicas organizadas pela Agência para a Modernização Administrativa (AMA) no âmbito da elaboração da Agenda Nacional de Inteligência Artificial (IA).
Estas iniciativas visam recolher contributos de diversas partes interessadas para a definição de um plano de ação nacional que posicione Portugal como referência na área da IA, em linha com a Estratégia Digital Nacional aprovada pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 207/2024.
O evento contou com a presença da Ministra da Juventude e Modernização, Margarida Balseiro Lopes, que a’ODigital.pt destacou a importância de envolver o maior número possível de agentes no processo de auscultação. «O nosso objetivo é que esta agenda reflita as reais necessidades e potencialidades do país. Por isso, optámos por realizar estas sessões em diferentes regiões, incluindo Évora, de forma a valorizar a diversidade do território nacional», afirmou.
A ministra sublinhou ainda que a elaboração da Agenda Nacional de IA é um processo inclusivo e colaborativo, onde todos podem contribuir. «A partir de 30 de janeiro, qualquer cidadão ou organização poderá partilhar as suas ideias através da plataforma Participa. Esta não é apenas uma consulta pública, mas sim um esforço coletivo para definir prioridades», acrescentou.
Margarida Balseiro Lopes destacou ainda o papel crucial da Universidade de Évora na promoção da investigação e na capacitação em inteligência artificial. «O conhecimento produzido nesta instituição é essencial para projetos como o nosso modelo de linguagem IA em português (LLM), que será uma referência em termos de inovação», afirmou.
Além disso, mencionou as diversas iniciativas em curso, incluindo o mapeamento de mais de 300 projetos na administração pública que já utilizam IA. «Temos excelentes exemplos de aplicações, como soluções de diagnóstico em saúde que utilizam IA para detetar cancros de forma mais eficiente», detalhou. «Estamos a criar um ecossistema onde a tecnologia existe para servir as pessoas e nunca o contrário», concluiu.
Já a Reitora da Universidade de Évora, Hermínia Vilar, reforçou a’ODigital.pt a relevância da inteligência artificial no plano estratégico da instituição, destacando a necessidade de capacitar recursos humanos e atrair talento para a região. «Uma das nossas prioridades é garantir que o Alentejo seja um local onde se possa construir uma carreira de sucesso, fora dos grandes centros urbanos», afirmou.
Para a Reitora, a fixação de talento qualificado depende não apenas de boas condições de trabalho, mas também de uma articulação eficaz entre várias entidades. «É essencial que trabalhemos em rede, envolvendo universidades, escolas, autarquias e empresas para atrair e reter talento», disse.
Hermínia Vilar mencionou ainda os esforços da Universidade em integrar a formação digital nos diferentes níveis de ensino, desde os primeiros ciclos até às microcredenciais. «Estamos comprometidos em capacitar as pessoas com competências digitais que respondam aos desafios atuais e futuros», explicou. A Reitora destacou ainda o envolvimento da universidade em consórcios no âmbito do PRR.
«O programa de Competências Digitais, em que estamos integrados, visa apetrechar a instituição e preparar a próxima geração de profissionais», acrescentou. Além disso, sublinhou a importância de adaptar-se aos novos tempos: «A inteligência artificial obriga-nos a renovar metodologias, formas de trabalhar e aprender. É um desafio exigente, mas necessário e que abraçamos com determinação», reforçou.
A Reitora salientou também os desafios específicos do Alentejo, referindo que a fixação de talento passa por criar condições de habitação e qualidade de vida atrativas. «É fundamental mostrar que cidades de média dimensão, como Évora, podem oferecer condições de vida e oportunidades de carreira equiparáveis, ou até melhores, do que nos grandes centros urbanos», explicou. «A Universidade de Évora tem um papel crucial neste processo, colaborando com outras entidades para criar um ambiente propício ao desenvolvimento pessoal e profissional», acrescentou.
A Agenda Nacional de IA tem como pilares principais o talento, a infraestrutura e a inovação. Segundo Margarida Balseiro Lopes, o plano contará com um envelope financeiro específico e será apresentado ao Conselho de Ministros no primeiro trimestre de 2025. Até lá, o Governo pretende assegurar que as bases para a sua implementação sejam sólidas. «Nós temos de saber para onde vamos e garantir que o que construímos tem impacto na produtividade económica e no bem-estar social», frisou a ministra.
A sessão em Évora, que contou com a participação de diversos representantes do setor público, privado e académico, foi considerada um momento-chave para a recolha de ideias que moldarão o futuro da inteligência artificial em Portugal. Com uma visão colaborativa, o Governo e as instituições participantes reforçaram o compromisso com a construção de um ecossistema de IA ético, inovador e inclusivo.


















































