O XI Congresso Nacional de Rega e Drenagem vai reunir, entre 30 de setembro e 2 de outubro, no Auditório do NERBE, em Beja, responsáveis políticos, agricultores, empresas, investigadores e especialistas das áreas da água, tecnologia e ambiente.
Organizado pelo Centro Operativo e de Tecnologia de Regadio (COTR), o encontro terá como tema “Água para Produzir o Futuro: Resiliência, Eficiência e Inteligência nos Recursos Hídricos”. A eficiência da rega, a estratégia nacional para a água, a inteligência artificial e a adaptação da agricultura às alterações climáticas estarão no centro dos debates.
A sessão de abertura está marcada para as 09h30 de 30 de setembro e contará com a participação do ministro da Agricultura e Mar. O governante será depois entrevistado em palco sobre as prioridades políticas para a água e a agricultura.
Gestão da água abre debates em Beja
O primeiro debate, intitulado “Quem decide o futuro da água em Portugal?”, começa às 11h00 e junta representantes da agricultura, do abastecimento público e do setor ambiental.
Segundo o programa provisório, participam Carlos Braziel David, vice-presidente da Águas de Portugal, Luís Mesquita Dias, presidente da Associação de Horticultores, Fruticultores e Floricultores dos Concelhos de Odemira e Aljezur, e Filipe Duarte Santos, presidente do Conselho Nacional do Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável.
A presença de Álvaro Mendonça e Moura, presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal, encontra-se ainda por confirmar.
Durante a tarde, o painel “Nova geração, novo regadio” abordará a renovação geracional no setor agrícola. O primeiro dia inclui ainda a apresentação do Barómetro Nacional do Uso Eficiente da Água na Agricultura e uma intervenção de Emílio Camacho Poyato, da Universidade de Córdova, sobre inteligência artificial e digitalização aplicadas à gestão da água no regadio.
Alterações climáticas podem aumentar necessidades de rega
Um dos dados que estará em análise durante o congresso indica que as alterações climáticas poderão aumentar em 27,5% as necessidades de água para rega no período entre 2071 e 2100.
A projeção foi divulgada pela Direção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural no âmbito do projeto “Conhecer para Prever o Futuro”, desenvolvido em parceria com o COTR e com a colaboração do Instituto Superior de Agronomia.
O valor corresponde ao cenário climático mais desfavorável e pressupõe a manutenção da atual situação agronómica.
“Um possível aumento de quase 30% nas necessidades de rega não significa que Portugal tenha simplesmente de encontrar mais 30% de água”, afirma Gonçalo Morais Tristão, presidente do COTR.
Segundo o responsável, a resposta passa por acelerar a eficiência, modernizar as infraestruturas e utilizar tecnologia e inteligência artificial para melhorar a aplicação da água disponível.
Agricultura e ambiente frente a frente
O programa de 1 de outubro começa com a apresentação de projetos ligados à transformação do regadio. Segue-se, às 10h50, o frente a frente “Água, ambiente e agricultura”, que colocará em debate representantes do Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente e da Confederação dos Agricultores de Portugal.
Às 11h35 realiza-se o painel “Da gota ao dado: como a IA está a transformar o regadio”, com representantes da Magic Beans, INESC TEC, Capgemini, Olivogestão e Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva.
Sensores instalados no solo e nas culturas, estações meteorológicas, drones, imagens de satélite, telemetria e modelos de previsão estão entre as tecnologias que permitem ajustar a rega às necessidades de cada cultura e parcela.
“A tecnologia não cria água, mas permite antecipar necessidades, evitar aplicações desnecessárias e reduzir custos de água, energia e fertilizantes”, refere Gonçalo Morais Tristão.
Estratégia nacional para a água em discussão
A tarde de 1 de outubro inclui o debate “A grande estratégia da água para Portugal”, com uma intervenção inicial de José Macário Correia, presidente da AdP AQUA.
Estão também previstas participações de Eduardo Reis, diretor-geral da DGADR, Nuno Serra, secretário-geral da CONFAGRI, José Núncio, presidente da FENAREG, e Ana Paula Moreira, da EDP. A participação do presidente da Agência Portuguesa do Ambiente, José Pimenta Machado, consta do programa como estando por confirmar.
O investigador Joan Girona, do Instituto de Investigação e Tecnologia Agroalimentares, apresentará uma intervenção sobre o uso eficiente da água e as necessidades de rega na cultura da amêndoa.
O programa contempla ainda a apresentação de um estudo da EDIA e do COTR sobre a monitorização dos solos nos blocos de rega do Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva e a entrega dos Prémios COTR Personalidades do Regadio.
Regadio representa cerca de 30% da produção agrícola
De acordo com os dados divulgados pelo COTR, a eficiência dos sistemas de rega em Portugal aumentou 18% entre 1999 e 2023.
A área equipada para regadio totaliza 633,1 mil hectares, cerca de 17% dos aproximadamente 3,86 milhões de hectares de Superfície Agrícola Utilizada no país. Esta área assegura cerca de 30% da produção agrícola nacional.
O Barómetro Nacional do Uso Eficiente da Água na Agricultura, desenvolvido pelo COTR em parceria com a CONSULAI, indica que as áreas abrangidas por práticas de uso eficiente da água ultrapassavam os 118 mil hectares em 2025.
Os trabalhos do congresso terminam no dia 2 de outubro, com uma visita às instalações da EDIA, no Centro Alqueva, seguida de um almoço no campo.
















