A CONFAGRI pediu audiências com carácter de urgência ao Presidente da República e ao primeiro-ministro, numa altura em que a confederação aponta para uma pressão crescente sobre o setor agrícola e agroalimentar provocada pelos preços e pela incerteza no fornecimento de combustíveis e fertilizantes.
A decisão foi tomada pelo Conselho de Administração da Confederação Nacional das Cooperativas Agrícolas e do Crédito Agrícola de Portugal (CONFAGRI), reunido na segunda-feira, 28 de setembro, que pretende expor aos dois responsáveis políticos a situação do setor e solicitar a intervenção do Estado.
CONFAGRI alerta para impacto dos custos na produção
De acordo com a confederação, a evolução dos preços e a incerteza relacionada com o fornecimento de petróleo e fertilizantes estão a aumentar os custos suportados pelas explorações agrícolas, cooperativas e restantes operadores da cadeia agroalimentar.
A CONFAGRI considera que, sem medidas, poderá ficar comprometida a viabilidade de empresas do setor, assim como a capacidade de produção nacional de alguns bens alimentares.
O tema dos custos de produção tem sido abordado pela organização ao longo dos últimos meses. Em setembro, o secretário-geral da CONFAGRI, Nuno Serra, voltou a considerar insuficientes os apoios extraordinários destinados ao setor, defendendo medidas que permitam responder ao aumento dos encargos de produção.
Segurança alimentar e competitividade entre as preocupações
No comunicado agora divulgado, Nuno Serra enquadra a situação também nas áreas da segurança alimentar, competitividade e coesão territorial.
“Não estamos perante um problema setorial, mas perante uma questão de segurança alimentar, de competitividade nacional e de coesão territorial”, afirma.
A organização pretende, por isso, que a situação seja analisada ao nível da Presidência da República e do Governo, defendendo uma intervenção que permita salvaguardar a capacidade produtiva e a competitividade externa do setor.
Confederação aponta para 8 mil empregos diretos
A CONFAGRI chama ainda a atenção para a componente laboral, indicando que o setor cooperativo agrícola assegura diretamente cerca de 8 mil postos de trabalho, parte dos quais em territórios do interior.
Segundo os dados apresentados pela própria organização, a CONFAGRI representa 400 cooperativas, nove federações e uma união de cooperativas. Em conjunto com o Crédito Agrícola, reúne cerca de 650 mil associados.
A confederação indica ainda que o setor cooperativo agrícola representa um volume de negócios de 3,7 mil milhões de euros, abrangendo atividades ligadas à produção, transformação e comercialização de produtos agroalimentares.
















