Quinta-feira, Maio 23, 2024

«Complexa» e «silenciosa»: A insuficiência cardíaca vista por um médico

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Depois de lançado o estudo que diz que a prevalência de insuficiência cardíaca tem um risco de 29,2% no Alentejo, Nuno Jacinto, diretor da Unidade Local de Saúde (ULS) do Alentejo Central, referiu, em declarações a’ODigital, que há fatores que podem «ajudar a interpretar estes resultados».

O primeiro: população idosa. «Como sabemos, a população no Alentejo é muito envelhecida, mais até do que noutras zonas do país. Certamente que contribui para esta realidade», sublinhou.

Por consequência, a idade pode levar também a «uma ligação com algumas outras doenças, nomeadamente a diabetes, hipertensão arterial, doenças cardíacas».

«Sabemos que no Alentejo, essas doenças têm uma prevalência um pouco mais elevada do que noutros locais e muitas vezes tem a ver com a estrutura etária, com características genéticas da população e da própria demografia», destacou ainda.

Nuno Jacinto referiu também os sintomas mais comuns desta doença: «Um cansaço fácil, a falta de ar, uma tosse persistente, um aumento de peso, o inchaço, a dificuldade em fazer algumas das tarefas que fazemos no nosso dia a dia, sentirmo-nos globalmente mais fracos».

«Não é nada disto isolado que nos deve fazer suspeitar. E, além disso mesmo, este conjunto de sintomas pode ser indicativo de outras doenças. Mas se todos eles acontecerem e se permanecerem no tempo, se não for algo passageiro e se for algo que se vá agravando, é sinal de que devemos procurar o nosso médico», explicou.

Para além disso, o médico realçou que a insuficiência cardíaca é uma doença «muitas vezes escondida, pouco falada e abordada» e que «por tudo isto, muitas vezes é encarada com menor preocupação de todos nós, profissionais e utentes em geral».

Face ao publicar do estudo 25 anos depois do último lançado, Nuno Jacinto disse que «ao longo destes anos foi-se percebendo que era uma doença mais complexa»: «A insuficiência cardíaca é uma doença muito complicada, crónica, progressiva, causa uma grande deterioração da qualidade de vida e que tem uma mortalidade muito elevada».

Esclareceu que os fármacos também ajudaram no lançamento de um novo estudo: «Durante muito tempo não houve armas eficazes, a nível terapêutico, para combater esta doença».

«Ao longo dos anos isso foi mudando parcialmente. Foram aparecendo fármacos cuja utilização mostrou ser eficaz na alteração do prognóstico e, nos últimos anos, apareceram ainda mais fármacos que têm um impacto ainda maior», complementou.

O médico explicou que é uma doença com maior incidência «a partir dos 50 anos»: «Nessa faixa etária, temos à volta de um em cada seis portugueses com insuficiência cardíaca, uns que são diagnosticados, mas a maioria não sabe que tem essa doença».

«Ela em grande parte é muito silenciosa e a sua evolução é muito silenciosa durante muitos anos, até começar a dar os primeiros sintomas, que também são inespecíficos. Por isso muitas vezes passam despercebidos», acrescentou. Não deixou também os mais novos de partes, mas a probabilidade «é menor e, nesses casos, muitas vezes, as causas também são outras»: «Falamos de fatores hereditários, genéticos, de causas metabólicas».

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