“True crime” é um termo em inglês que designa todas as mídias audiovisuais (entre podcasts, filmes, séries, vídeos no Youtube e outros) que trabalham crimes reais. Esse gênero é popular no mundo todo.
O ser humano sempre foi fascinado com o que foge ao socialmente aceitável, especialmente crimes. E isso não tem qualquer relação com a índole ou caráter das pessoas: trata-se de uma curiosidade tipicamente humana, influenciada, entre outras coisas, por fatores sociais e experiências emocionais.
Dito isto, é inegável que o acesso a materiais sobre crimes hoje é muito diferente do que já foi no passado. Se antes estávamos limitados a jornais de papel e outros meios de comunicação analógicos, hoje temos acesso a notícias do mundo todo em tempo real, sem qualquer tipo de barreira geográfica.
Nesse novo cenário, um gênero de produto audiovisual vem crescendo em popularidade: o true crime. Entre séries, filmes de ficção e documentários, eles estão entre as mídias mais consumidas nas plataformas de streaming. Utilizando como base um artigo do ExpressVPN, vamos falar sobre o tema.
Como os documentários e séries de true crime dominaram o mundo?
De acordo com a pesquisa do ExpressVPN, há múltiplas razões para explicar a “dominação” do true crime em escala mundial. Dentre elas, temos o “ciclo de notícias 24h” (a cobertura sem descanso, em tempo real, pela internet) e as redes sociais como fortes pilares que impulsionam as mídias do gênero.
Aliado a isso, não podemos nos esquecer dos conteúdos “sob demanda”, mais comumente vistos nas plataformas de streaming; e a eliminação das barreiras geográficas. Nesse último ponto, o texto cita os VPN como veículos de acesso aos conteúdos de true crime que extrapolam seus países de origem.
Ou seja: o que já era um interesse popular antes, ganhou válvulas de escape. Ao contrário de tempos passados, em que precisávamos consumir apenas notícias e outros materiais audiovisuais que eram transmitidos no rádio ou exibidos na TV, hoje temos todos os assuntos do mundo na ponta dos dedos.
O que explica o sucesso do true crime nos espaços online?
Ok, nós sabemos o “como”, mas e quanto ao porquê? A compreensão da demanda é apenas parte da equação, ainda falta saber as razões pelas quais as pessoas se interessam por documentários e séries de true crime. Felizmente, as razões em geral não são mórbidas e maléficas como o senso comum diz.
O fascínio pelo mal é uma, provindo da curiosidade natural pelo que é diferente e não experienciamos. O mesmo vale para a sensação de “preparo” que sentimos ao acompanhar algo ruim que aconteceu com outros, como se o fato de sabermos disso prevenisse que nos tornássemos vítimas de um crime.
Como citamos antes, essas razões não são novas, mas os espaços online amplificaram o seu alcance, o que explica o fato de estarmos muito mais conectados ao true crime atualmente. O que há, em partes, é uma “câmara de eco”, em que nos é ofertado aquilo pelo qual já temos um interesse prévio.
Há diferenças culturais no consumo de mídias de true crime?
Embora o gênero true crime seja um fenômeno global, engana-se quem pensa que esse tipo de mídia é homogêneo no mundo todo. A verdade é que há diferenças notáveis entre um país e outro, como aponta o estudo da ExpressVPN. O que faz sucesso no Brasil, pode não ser de interesse fora da nação.
Pegando como exemplo dois países de “extremos”: nos Estados Unidos, obras de true crime não são tímidas, frequentemente explorando todos os detalhes mais sórdidos de um caso, sem qualquer tipo de cuidado com o bem estar de familiares de vítimas. Há uma representação mais “crua” da realidade.
No Japão, por outro lado, o true crime tem um foco maior nas vítimas e evita divulgar informações que possam prejudicar ou machucar aqueles que já sofreram com essa tragédia. Isso não significa que a violência não fascine japoneses, apenas que esse não é um componente comum ao seu true crime.
Quais são algumas das obras de true crime mais populares?
Agora que entendemos o como e porquê, vale a pena explorar o “qual”. Afinal de contas, quais são as obras de true crime que vêm fazendo mais sucesso? Pode ser interessante dividi-las em duas categorias: a ficção que apenas adapta parcialmente os fatos; e as mídias com um cunho documental.
Dentre as obras ficcionais, exemplos incluem: “O Ato” (2019), “Dahmer – Monster: The Jeffrey Dahmer Story” (2022), “The Watcher” (2022) e “American Crime Story”. Já do lado documental, temos “Três Estranhos Idênticos” (2018), “Wild, Wild Country” (2018) e “O Lado Sombrio da TV Infantil” (2024).
Como o artigo da ExpressVPN bem pontuou e tentamos demonstrar durante esse texto, o fenômeno do true crime pode ser global, mas suas características se diferem muito quando saímos de um país para outro. Acima de tudo isso, porém, há o desejo humano que existia mesmo antes do audiovisual.
















