Com o fecho da Central de Sines, EDP investe agora na central do Alqueva

Alqueva

Desde a meia noite de dia 14 de janeiro que a central a carvão da EDP em Sines fechou as portas, colocando assim fim a 36 anos de produção de energia elétrica de origem fóssil e poluente para abastecer todo o país. Ao todo, são 1.256 MW de potência instalada que saem do sistema elétrico nacional, pelo menos dois anos antes do que chegou a estar previsto pelo Governo.

“A EDP recebeu autorização da Direção Geral de Energia e Geologia sem qualquer restrição, para encerramento da central de Sines”, garantiu ao ECO/Capital Verde fonte oficial da elétrica, revelando que “tem estado sempre disponível para colaborar com o Governo no que respeita a garantir a segurança do abastecimento, e sempre que tal é necessário, estando a realizar investimentos na central do Alqueva para reforço da prestação de serviços de sistema (a nível do controlo de tensão)”.

Porquê o Alqueva? Porque, tal como Sines, esta barragem se situa no sul do país e poderia ser chamada a intervir como backup do sistema elétrico num cenário de pico. A empresa não revela o valor desses investimentos específicos para o Alqueva, mas garante que são trabalhos de manutenção e prevenção já previstos para a barragem, avança ainda o ECO.

Fonte da EDP confirma agora que “o agravamento fiscal sobre o carvão foi um dos fatores — embora não o único — que contribuiu para o encerramento da central”. Em Sines, “o stock de carvão remanescente é residual”, diz a EDP, mas a central “continua disponível para funcionar, caso seja necessário, até ao fim”.

Do lado do Governo, o ministro do Ambiente e da Ação Climática, Matos Fernandes, frisou que a central termoelétrica de Sines era responsável por 15% das emissões em Portugal e garantiu ser 100% seguro para o sistema elétrico nacional acabar com o carvão em Sines já em janeiro em 2021, com base nas avaliações feitas pela DGEG e pela REN, “em face da redução de consumos que existiu também consequência da pandemia de Covid-19, e com uma concertação da manutenção de todas as outras infraestruturas que produzem eletricidade e que podem ser backups”.

Segurança do abastecimento de eletricidade está garantida sem o carvão de Sines

O fecho da central de Sines chegou a estar previsto pelo Governo de António Costa apenas para 2023, uma vez que dependia da entrada em funcionamento das três barragens que a Iberdrola está a construir no Alto Tâmega e a construção de uma nova linha de eletricidade entre Ferreira do Alentejo e o Algarve, ambos os projetos ainda por concluir.

A IIberdrola garante que “o Sistema Eletroprodutor do Tâmega está a avançar conforme o previsto e os aproveitamentos hidroelétricos de Gouvães e Daivões e estarão disponíveis para entrar em operação no final de 2021”, com uma potência de 880 MW e 118 MW, respetivamente.

A decisão agora é diferente e tanto a DGEG como a REN garantem que a segurança do abastecimento de eletricidade está garantida sem o carvão de Sines. A central do Pego fica ainda a funcionar, mas em 2020 a contribuição do carvão para o abastecimento o consumo de eletricidade foi de apenas 4%, quando habitualmente ultrapassava os 20%.