O presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Alentejo, Ricardo Pinheiro, revelou que está prevista para 8 de setembro uma reunião com a Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva (EDIA) para preparar um estudo sobre a possível transferência de água do Tejo para o Guadiana.
Em declarações prestadas esta quarta-feira, 2 de setembro, ao Jornal ODigital.pt, à margem da inauguração da Feira da Luz/Expomor, em Montemor-o-Novo, o responsável adiantou que o trabalho deverá abranger as vertentes técnica e económica do projeto.
A reunião surge depois de Ricardo Pinheiro ter anunciado, no Crato, que a CCDR Alentejo estava a preparar um estudo enquadrado na estratégia nacional «Água que Une» e admitido uma futura ligação entre as bacias do Tejo e do Guadiana.
Candidatura ao Programa Regional deverá financiar estudo
Ricardo Pinheiro explicou que “há a possibilidade de prepararmos uma candidatura, em conjunto com a EDIA”, para a realização de “um grande estudo” sobre o transvase do Tejo para o Guadiana.
Segundo o presidente da CCDR Alentejo, o encontro com a empresa responsável pelo empreendimento de Alqueva servirá para começar a definir os contornos do trabalho.
“Vamos ter uma conversa, no dia 8 de setembro, com a EDIA”, revelou ao ODigital.pt, indicando que a intenção passa por “fazermos a candidatura ao Programa Regional para financiar o estudo”.
O responsável classificou esta candidatura como “o primeiro passo” de um processo no qual a CCDR Alentejo pretende envolver outras entidades. “Esta é uma dimensão em que a CCDR não quer estar sozinha”, afirmou, destacando o empenho da EDIA na preparação do projeto.
Estudo deverá avaliar engenharia e impactos económicos
O trabalho não deverá ficar limitado à viabilidade técnica da ligação entre as duas bacias hidrográficas. Ricardo Pinheiro defendeu que, além da componente de engenharia, devem ser analisadas as consequências económicas de um investimento desta natureza nas diferentes zonas do Alentejo.
“É importante fazer uma dimensão de engenharia, mas é perceber que, quando fazemos um determinado investimento, quais são os impactos económicos que aquele investimento tem em diferentes zonas do território”, explicou.
Entre as matérias a incluir no estudo estarão a possibilidade de criação ou expansão de perímetros de rega e a identificação das culturas que poderão ser desenvolvidas nas áreas abrangidas.
O presidente da CCDR Alentejo pretende, por isso, que seja elaborado “um estudo bastante mais alargado”, capaz de sustentar futuras decisões sobre as infraestruturas a construir e os efeitos do projeto na economia regional.
Segurança hídrica para consumo humano, indústria e agricultura
Ricardo Pinheiro enquadrou a ligação entre o Tejo e o Guadiana na necessidade de reforçar a disponibilidade de água no Alentejo para três utilizações: consumo humano, atividade industrial e agricultura.
“A CCDR Alentejo quer e deseja liderar aquilo que é o grande instrumento da resiliência hídrica na região”, declarou, apontando o eventual transvase para o Guadiana como parte dessa estratégia.
De acordo com o responsável, a solução em estudo poderá permitir transferir cerca de 150 hectómetros cúbicos de água para a região. Ricardo Pinheiro relacionou ainda o projeto com a possibilidade de aumentar em mais de 50 mil hectares a área de regadio apoiada por Alqueva.
“É extraordinariamente importante que se garanta resiliência hídrica”, sustentou, acrescentando que o trabalho deverá ser articulado com a estratégia nacional «Água que Une».
O documento nacional já contempla o estudo de viabilidade da ligação entre as bacias do Tejo e do Guadiana, incluindo uma possível adução entre Nisa e o Caia. A medida encontra-se, contudo, numa fase de estudo e não corresponde ainda a uma decisão de execução da infraestrutura.
















