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Catalyxx anuncia fábrica de 120 milhões de euros em Sines com obras previstas para 2026

A unidade será instalada na ZILS, produzirá álcoois a partir de bioetanol e recebeu mais de 20 milhões de euros de apoio europeu para o projeto industrial.

A Catalyxx anunciou esta quarta-feira a instalação da sua primeira fábrica à escala comercial em Sines, num investimento estimado pela empresa em 120 milhões de euros. O início da construção está previsto até ao último trimestre de 2026.

A unidade, denominada Catalyxx Ibérica, será instalada na Zona Industrial e Logística de Sines (ZILS) e ficará dedicada à produção de compostos químicos a partir de bioetanol. O projeto encontra-se na fase final de desenvolvimento, segundo a empresa.

Fábrica produzirá butanol, hexanol e octanol

A futura fábrica deverá produzir butanol, hexanol e octanol, compostos utilizados em setores como os revestimentos, as resinas, os adesivos, os lubrificantes, os produtos de higiene e os combustíveis.

A tecnologia desenvolvida pela Catalyxx permite transformar bioetanol em produtos com características químicas semelhantes às alternativas produzidas a partir de matérias-primas fósseis, permitindo a sua utilização nos processos e infraestruturas industriais existentes.

A escolha de Sines foi justificada pela Catalyxx com a presença de infraestruturas industriais, a proximidade ao porto, as ligações logísticas e o acesso a energia renovável.

“Estamos muito satisfeitos por construir a nossa primeira fábrica à escala comercial em Portugal”, afirmou Joaquín Alarcón, presidente executivo da Catalyxx, citado pela empresa.

Os trabalhos de engenharia estão a ser desenvolvidos com o apoio das empresas Worley e Quadrante. A Catalyxx afirma também que o projeto já obteve as principais aprovações ambientais, sem identificar, no anúncio, os procedimentos administrativos concluídos.

Projeto tem estatuto de interesse nacional

O investimento recebeu o estatuto de Projeto de Interesse Nacional, sendo identificado como PIN 344 na lista de projetos acompanhados pela Comissão Permanente de Apoio ao Investidor.

O documento classifica a Catalyxx como um projeto de investimento direto estrangeiro no setor dos produtos químicos e petroquímicos, localizado no concelho de Sines.

O estatuto PIN permite um acompanhamento coordenado dos procedimentos administrativos associados ao investimento, mas não dispensa o cumprimento das exigências legais aplicáveis ao licenciamento.

Apoio europeu ultrapassa os 20 milhões de euros

O projeto RenewChem, liderado pela Catalyxx, recebeu uma contribuição de 20,02 milhões de euros da Circular Bio-based Europe Joint Undertaking, uma parceria financiada pela União Europeia.

A iniciativa decorre entre junho de 2026 e maio de 2030 e junta empresas como a Arkema, a Evonik e a Magfi. O financiamento destina-se a apoiar a engenharia, construção, entrada em funcionamento e arranque da unidade de Sines.

O Banco Europeu de Investimento está também a avaliar um financiamento de aproximadamente 37 milhões de euros para o projeto. A ficha publicada pelo banco estima o custo total do investimento em 125 milhões de euros, acima dos 120 milhões anunciados pela Catalyxx.

O eventual empréstimo permanece em apreciação e negociação, não podendo ainda ser apresentado como financiamento aprovado ou contratado. O BEI calendariza a execução do investimento entre 2026 e 2028.

Documentos apontam capacidades de produção diferentes

A ficha do Banco Europeu de Investimento aponta para uma capacidade de produção de 30 mil toneladas anuais de biobutanol a partir de bioetanol.

Já a informação do projeto RenewChem refere uma produção de 15 mil toneladas por ano de álcoois de origem biológica. As fontes consultadas não esclarecem se os valores correspondem a diferentes fases ou componentes da unidade industrial.

Também existem estimativas distintas para a redução de emissões. A Catalyxx prevê que a fábrica permita evitar cerca de 105 mil toneladas de dióxido de carbono por ano, enquanto a ficha do RenewChem aponta para aproximadamente 11.100 toneladas de dióxido de carbono equivalente anuais no âmbito do projeto financiado.

Os documentos não explicam a diferença entre os dois cálculos. A empresa também não divulgou, no anúncio, o número de postos de trabalho diretos previstos para a futura unidade de Sines.

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