Cascas do lixo de 12 concelhos de Évora “transformadas” em apoios para IPSS

As cascas do lixo produzidas pela população de 12 concelhos do distrito de Évora vão poder ser “transformadas” em apoio monetário para instituições públicas de solidariedade social (IPSS) que ajudam pessoas com deficiência da região.

Trata-se do novo projeto da empresa Gesamb – Gestão Ambiental e de Resíduos, responsável pelo tratamento de lixo de 12 dos 14 concelhos do distrito de Évora, denominado “Missão Cascas Solidárias”, que arrancou hoje em Alandroal, com uma ação de sensibilização.

No âmbito da iniciativa, a Gesamb indicou que, ao longo dos próximos meses, vai instalar 28 compostores comunitários nos 12 municípios da sua área de intervenção e distribuir 4.500 compostores domésticos pelas respetivas populações.

Segundo a empresa, o projeto “promete revolucionar a forma como as populações” destes concelhos de Évora “podem ser agentes ativos de mudança para um futuro sustentável e mais solidário”.

Considerada “pioneira na região”, a iniciativa pretende “incentivar as populações e organizações a adotarem hábitos de reciclagem do lixo orgânico que produzem, ao mesmo tempo que contribuem para ajudar localmente quem mais precisa”.

O “desvio de resíduos urbanos biodegradáveis de aterro” para a reciclagem vai originar “benefício económico de valor a determinar”, o qual será entregue a IPSS locais ou regionais, explicou a empresa.

Assim, sublinhou, a reciclagem das “cascas das frutas, legumes, talos e folhas, excluindo proteína animal e óleos alimentares”, vai “contribuir para angariar apoios” para as IPSS que ajudam pessoas com deficiência e necessidades especiais.

A Gesamb realçou que o valor monetário a entregar a estas instituições “será calculado em função da quantidade de resíduos orgânicos desviados de aterro”, mas também do “número de equipamentos domésticos e comunitários entregues”.

“Quanto mais pessoas aderirem à prática da compostagem, mais significativo será o apoio prestado às instituições selecionadas”, frisou, adiantando que, para esta fase, já foram sorteadas três instituições que serão beneficiadas.

A Associação Sociocultural Terapêutica de Évora (ASCTE) e as cooperativas para a educação, reabilitação, capacitação e inclusão de Estremoz (CerciEstremoz) e de Montemor-o-Novo (CerciMor) são as instituições a apoiar.

De acordo com a empresa, a “Missão Cascas Solidárias” vai ao encontro das metas europeias e nacionais para a prevenção e valorização dos resíduos e da obrigatoriedade de recolha seletiva de biorresíduos a partir de 2024.

“A compostagem (doméstica e comunitária) abarca a parte ainda pouco valorizada do lixo doméstico que são os resíduos orgânicos, que representam cerca de 38,51% do total dos resíduos produzidos na região”, assinalou.

Os 12 municípios que integram a Gesamb e que estão abrangidos pelo projeto, que vai decorrer até agosto de 2022, são Alandroal, Arraiolos, Borba, Estremoz, Évora, Montemor-o-Novo, Mora, Mourão, Redondo, Reguengos de Monsaraz, Vendas Novas e Vila Viçosa.

A Gesamb tem a exploração do aterro sanitário intermunicipal de Évora, sete ecocentros (quatro deles são também estações de transferência), quatro estações de transferência, um centro de triagem e uma unidade de tratamento mecânico e biológico.

Com uma área de intervenção que corresponde a 6,9% da área total do país, abrangendo cerca de 144.166 habitantes, inseridos nos 12 concelhos, a empresa faz o tratamento e valorização de 1,6% do lixo doméstico produzido em Portugal.

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