A Capela dos Ossos de Campo Maior (Portalegre) reabriu ao público, este sábado, após uma intervenção “profunda” de restauro e conservação, num investimento superior a 231 mil euros.
Com este investimento, foram também efetuadas obras num anexo à capela, servindo essa zona como um espaço museológico para contextualizar o monumento, composto por uma coleção com os diversos achados arqueológicos encontrados durante os trabalhos de limpeza e conservação.
Um espaço que pretende dar a conhecer todos os factos relevantes sobre a construção do ossário, o processo de restauro, e o estudo antropológico e arqueológicos realizados, com intuito de valorizar e preservar a sua história.
Em declarações aos jornalistas, o presidente da Câmara de Campo Maior, Luís Rosinha, explicou que “com esta requalificação pretendemos dar dignidade e respeito por aquilo que que aqui está, por todos estes cerca de 800 corpos que aqui estão e tentarmos preservá-los, porque efetivamente há uma conservação e requalificação, nomeadamente no aspeto da capela e também nas acessibilidades”.
“No Alentejo há apenas três capelas deste género e uma delas está em Campo Maior, o que se torna num fator de atratividade turística para este concelho onde temos apostado na valorização do património”, referiu o autarca.
Segundo Luís Rosinha, “o nosso objetivo é dinamizarmos agora, numa primeira fase, a Capela junto dos Campomaiorenses e depois aproveitar a parceria com as Capelas de Évora e Monforte, no sentido de atrair turistas para nos visitar e queremos depois começar a disponibilizar um pacote turístico do concelho com os vários pontos históricos locais”.
A requalificação e os estudos arqueológicos realizados, permitiram revelar que “outros corpos que nos deram outras datas, que nos deram outras particularidades que estão aqui também descritas e que mostram que se calhar, efetivamente os 300 corpos que foram devastados naquela noite de Setembro do rebentamento do paiol não foram os suficientes para garantir os 800 que hoje temos aqui dentro da capela”.
Já o Arcebispo de Évora, D. Francisco Senra Coelho, referiu aos jornalistas que “houve uma valorização com muito critério nesta requalificação e destaco capacidade técnica e a criatividade para se poder observar com pormenor todos os recantos e todos os aspetos da Capela dos Ossos.”
“Acho que foi muitíssimo bem conservado cada uma das peças, nomeadamente o restauro dos ossos com cuidado, sem ferir em inovação, mas fazendo sobretudo a guarda daquilo que é a realidade para que dure mais tempo”, disse D. Francisco Senra Coelho, destacando também “a criação do espaço museológico para as crianças e adolescentes lidarem com esta temática, que passa também pela morte com naturalidade.”
Para D. Francisco, “foi um investimento com critério, com qualidade, com uma conduta científica bem coordenada e bem acompanhada. De facto, temos aqui uma proposta de qualidade e vai valorizar o nosso turismo e vai valorizar também o nosso humanismo.”
“Eu felicito muito Campo Maior por saber valorizar a sua história. Quem não tem história não tem futuro, porque a história são as nossas raízes e não há uma árvore que cresça sem raízes. Valorizando a nossa história, nós temos raízes para crescer, para o futuro e para dar flor e fruto”, concluiu o Arcebispo de Évora.
Fique de seguida com as imagens desta abertura, numa reportagem de Hugo Calado:



























































