Câmara de Moura exige mais investimento associado ao Alqueva e aponta falhas à EDIA

Álvaro Azedo acusou a EDIA de “desinteresse, indiferença e incompetência” e reclamou mais investimento para o concelho de Moura.

O presidente da Câmara Municipal de Moura, Álvaro Azedo, acusou a EDIA – Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva – de “desinteresse, indiferença e incompetência” relativamente ao desenvolvimento do concelho, durante a abertura da Feira de Maio – Moura Terra Mãe do Azeite do Alentejo.

Em declarações ao Jornal ODigital.pt, o autarca defendeu que o concelho continua à espera da concretização de vários projetos ligados ao Alqueva e ao regadio, considerando que Moura não pode continuar dependente de promessas antigas.

«O concelho de Moura não pode continuar eternamente à espera que promessas antigas sejam tratadas como favores extraordinários», afirmou Álvaro Azedo, acrescentando que «o presidente da EDIA é responsável por este desinteresse, indiferença e incompetência».

O presidente do município referiu vários processos que, segundo disse, continuam por resolver desde 2017, nomeadamente o projeto “ETAR da Estrela”, os arranjos exteriores da Estação Náutica de Moura, o cais ancoradouro junto à infraestrutura turística e questões relacionadas com o regadio no concelho.

Álvaro Azedo questionou ainda os resultados da influência da empresa no território. «Digam-me cá que resultados existem na influência dos responsáveis desta empresa que tem sido o brilho dos olhos de todos os alentejanos?», perguntou perante os presentes.

“Não somos lambe-botas de Lisboa nem papa-migalhas”

Nas palavras proferidas, o autarca de Moura deixou também críticas ao centralismo e à forma como o interior é tratado, defendendo uma maior afirmação dos territórios do interior do país.

«Não somos lambe-botas de Lisboa nem papa-migalhas», afirmou, considerando que «a maior traição que se pode fazer ao nosso território é trocarmos as nossas gentes por um prato de lentilhas».

Álvaro Azedo sublinhou igualmente que o município continuará a reivindicar investimentos e projetos estruturantes para o concelho, nomeadamente ao nível da agricultura e do regadio.

O presidente da Câmara destacou o trabalho desenvolvido pelo município em articulação com o Governo, CCDR e entidades ambientais na implementação dos blocos de rega de Amareleja, Póvoa e Moura, bem como na valorização da atividade agrícola em território abrangido pela Rede Natura 2000.

Regionalização e defesa do interior

A concluir, o autarca defendeu a regionalização como instrumento de desenvolvimento do interior, afirmando que o concelho quer “ser dono do seu destino”.

«Não queremos migalhas, queremos ser donos do nosso destino. E por aí passa também a regionalização», declarou.

Álvaro Azedo afirmou ainda que Moura continuará “exigente” perante as entidades nacionais e regionais, defendendo que o território deve ser tratado de acordo com as suas especificidades e necessidades.

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