A Câmara de Mértola aplaudiu o avanço de projetos da empresa gestora do Alqueva para construir duas barragens em afluentes do Rio Guadiana, naquele concelho e no de Beja, por serem estruturantes para o desenvolvimento local.
“Estes projetos representam um passo estruturante para o desenvolvimento do nosso território”, argumentou este município do distrito de Beja, presidido pelo autarca socialista Mário Tomé.
Em comunicado, a autarquia disse congratular-se “com a notícia do avanço dos projetos para a construção de novas barragens no concelho e na região” e insistiu tratar-se de “um momento decisivo para o futuro do território”.
“A Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva (EDIA) iniciou os procedimentos para a concretização das barragens nas ribeiras de Terges e Cobres e de Carreiras, com o lançamento dos respetivos projetos e estudos de impacte ambiental”, pode ler-se.
Estas infraestruturas “inserem-se na estratégia nacional de reforço da resiliência hídrica e da gestão sustentada dos recursos de água”, para a qual este município alentejano frisou ter contribuído.
“Foi no âmbito da discussão pública do Plano Nacional da Água que [a câmara] apresentou contributos concretos, sustentados por uma sólida base técnica e uma visão política clara, propondo a construção de três barragens nas ribeiras de Carreias, de Terges e Cobres e de Oeiras”, é referido.
Por isso, “é com particular satisfação que o município vê agora refletidas algumas dessas propostas, num processo que confirma a importância da intervenção ativa e fundamentada das autarquias na definição das políticas públicas, de competência do Governo central”.
Para o autarca Mário Tomé, citado no comunicado, “começam agora a concretizar-se propostas que o município sustentou de forma consistente e fundamentada, sempre com o objetivo de garantir mais água, mais resiliência e mais futuro para Mértola”.
A posição do município surge após declarações à agência Lusa do presidente da EDIA, José Pedro Salema, na quinta-feira, sobre os projetos, que estão a dar os ‘primeiros passos, de duas novas barragens que a gestora do Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva (EFMA) quer construir nas zonas de Beja e Mértola.
O responsável indicou então que as barragens, incluídas na estratégia nacional “Água que Une”, estão projetadas para “jusante do sistema Alqueva-Pedrógão”, nas ribeiras de Terges e Cobres e de Carreiras, afluentes do Guadiana, com o objetivo de “aumentar a resiliência do sistema Alqueva”.
A EDIA lançou o concurso público para o projeto de execução e Estudo de Impacte Ambiental (EIA) da Barragem de Terges e Cobres, nos concelhos de Beja e Mértola, num investimento de 990 mil euros (mais IVA).
Segundo o procedimento, cujo anúncio foi publicado em Diário da República (DR) na quinta-feira, a apresentação de propostas decorre até 20 de julho e o prazo de execução do contrato é de 18 meses.
Quanto ao projeto de execução e EIA da Barragem de Carreiras, no concelho de Mértola, “provavelmente mais um mês e sairá também esse concurso” em DR, revelou José Pedro Salema.
No comunicado, o presidente da Câmara de Mértola, além de elogiar o trabalho conjunto das várias entidades, realçou que a concretização destas barragens vai reforçar a segurança hídrica, apoiar o desenvolvimento económico e aumentar a capacidade de resposta às alterações climáticas “num território particularmente exposto à escassez de água”.
Ontem, igualmente em comunicado, a associação ambientalista Zero exigiu um “compromisso formal do Governo” de não construir novas barragens nos afluentes do Rio Guadiana e opôs-se a estes projetos de duas novas barragens anunciados pela EDIA.



















