Calor domina intervenções nas Festas do Povo e houve meios ativados em menos de um minuto

Mais de 90% das intervenções da ULS do Alto Alentejo estão ligadas ao calor. Houve ativações em menos de um minuto e há reforço preparado para o fim de semana.

O calor está na origem de mais de 90% das intervenções realizadas pelas equipas da Unidade Local de Saúde do Alto Alentejo (ULSAAle) durante as Festas do Povo de Campo Maior. Até à manhã desta sexta-feira, 14 de agosto, 143 pessoas tinham sido atendidas no Centro de Saúde, enquanto o Posto Médico Avançado tinha registado 190 atendimentos até ao final de quinta-feira.

Os dados foram avançados ao jornal ODigital.pt por Jorge Marques, enfermeiro e coordenador da Task Force da ULS do Alto Alentejo de apoio às Festas do Povo, que identifica a temperatura, a desidratação e a hipotensão como as principais causas das intervenções realizadas até ao momento.

«É a larga maioria. Mais de 90%, até à data, são originadas pela temperatura, desidratação e hipotensão», explicou. O calor pode agravar problemas de saúde já existentes, mas também afetar pessoas saudáveis, provocando desidratação, quebras de tensão e desmaios.

As quedas são outra das ocorrências registadas pelas equipas. «É importante trazer calçado confortável e andar com calma para evitar escorregar e cair», aconselhou Jorge Marques.

Apesar do número de atendimentos, até à manhã desta sexta-feira a Task Force da ULSAA não tinha registado nenhuma situação considerada realmente grave. As ocorrências abrangem pessoas de diferentes idades, embora «a larga maioria» envolva visitantes mais velhos. Entre as crianças, os casos têm sido menos frequentes e relacionados sobretudo com o calor e algumas quedas.

Ativações de meios em menos de um minuto

A resposta de saúde montada para as Festas do Povo articula-se com os restantes elementos que integram o dispositivo no terreno. Jorge Marques explica que bombeiros, GNR, Proteção Civil e INEM dispõem de elementos distribuídos pela área da festa, permitindo aproximar a resposta dos locais onde surgem as ocorrências.

«O importante é que rapidamente se desencadeie o socorro e a forma mais rápida é ligar 112», sublinhou o coordenador da Task Force, acrescentando que já foram registadas situações em que a ativação dos meios ocorreu em menos de um minuto.

«Ainda ontem tivemos ocorrências em que a ativação de meios demorou menos de um minuto. A chegada às pessoas depende da quantidade de visitantes na altura, mas conseguimos chegar rapidamente», explicou.

Jorge Marques distingue, assim, o tempo necessário para ativar os meios do tempo que estes demoram efetivamente a alcançar a vítima, que pode ser condicionado pela concentração de visitantes nas ruas.

Depois de uma primeira avaliação no local, as pessoas são encaminhadas, quando necessário, para os espaços onde estão os profissionais de saúde. «Todas as forças estão perfeitamente articuladas connosco. Fazem a triagem e avaliação na rua e depois transportam para os locais onde estão os nossos profissionais, sempre que necessário», afirmou.

Centro de Saúde e Posto Médico Avançado asseguram resposta

A estrutura preparada pela ULS do Alto Alentejo para as Festas assenta em diferentes níveis de resposta. O Centro de Saúde de Campo Maior tem uma consulta aberta em horário alargado, destinada a situações não urgentes, enquanto junto ao Jardim Municipal foi instalado um Posto Médico Avançado para situações mais urgentes ou que necessitem de estabilização.

O posto dispõe diariamente de um médico hospitalar, dois enfermeiros e um auxiliar de saúde e funciona em articulação com o INEM, Proteção Civil e bombeiros.

Até à manhã desta sexta-feira, 143 pessoas tinham sido atendidas no Centro de Saúde de Campo Maior, tendo todas tido alta. Já no Posto Médico Avançado, tinham sido atendidas 190 pessoas até ao final de quinta-feira, 13 de agosto.

O Centro de Saúde aumentou também a capacidade de resposta durante as Festas. «Foi alargado o seu horário de funcionamento e criou uma consulta especializada para esse fim. Esta resposta está a ser dada pelos profissionais do próprio Centro de Saúde, que estão a trabalhar mais horas para permitir que essa resposta seja garantida», explicou Jorge Marques.

Nos hospitais de Elvas e Portalegre manteve-se a resposta habitual, mas, segundo o coordenador da Task Force, houve «uma atenção especial» à logística e à dotação dos serviços para assegurar capacidade de resposta perante uma eventual situação mais grave. Os centros de saúde da região estão igualmente preparados para prestar apoio caso seja necessário.

Até ao momento, porém, «a larga maioria das situações» tem sido resolvida com os meios disponíveis em Campo Maior, quer no Centro de Saúde, quer no Posto Médico Avançado.

A proximidade da fronteira levou também a prever a resposta a visitantes espanhóis. Segundo Jorge Marques, o INEM comunicou à ULS que assegurou a articulação necessária para que, quando adequado, cidadãos espanhóis possam ser encaminhados para uma unidade hospitalar do seu país.

Quase 100 profissionais envolvidos ao longo das Festas

A ULS do Alto Alentejo mobiliza diariamente 11 profissionais para a resposta às Festas do Povo. Com a rotação das equipas ao longo de todo o período e incluindo os profissionais envolvidos no centro institucional, Jorge Marques aponta para um empenhamento global próximo das 100 pessoas.

Estão envolvidos médicos, enfermeiros, técnicos de saúde e assistentes técnicos, numa resposta que o coordenador define como integrada para as necessidades dos residentes e dos milhares de visitantes que passam por Campo Maior.

O dispositivo está também preparado para os períodos de maior afluência. «Temos um reforço preparado, que está presente no terreno», afirmou, explicando que existe ainda capacidade para aumentar as equipas caso a evolução das ocorrências o torne necessário.

«Não queiram fazer tudo de uma vez»

Com o calor a concentrar a maioria das intervenções, Jorge Marques deixa recomendações a quem ainda pretende visitar as Festas do Povo: planear o percurso, fazer pausas, utilizar chapéu e protetor solar, beber água regularmente e escolher calçado confortável.

«Vão bebendo água mesmo que não tenham sede», aconselhou.

A própria configuração das Festas obriga os visitantes a percorrer distâncias consideráveis a pé. Com as ruas decoradas e limitações ao estacionamento nas zonas centrais, parte do trajeto começa nos parques destinados às viaturas.

«O trajeto dos parques até às ruas consegue-se fazer, mas demora algum tempo e é preciso planear o percurso e ir descansando, até mesmo durante a visita. Não queiram fazer tudo de uma vez, porque são mais de 100 ruas», alertou.

A recomendação é parar perante os primeiros sinais de cansaço. «Mais vale esperar do que depois entrar numa situação de exaustão, o que pode provocar algum problema.»

Caso seja necessária assistência, os visitantes podem procurar os elementos operacionais no terreno ou contactar diretamente o 112.

Modelo recuperou experiência de 2011 e 2015

A resposta de saúde deste ano começou a ser preparada ainda em 2025, depois de contactos da Associação das Festas do Povo e do Município de Campo Maior, no âmbito da preparação do dispositivo para as Festas.

Para desenhar o modelo, a ULS recuperou a experiência das edições de 2011 e 2015, incluindo os registos e relatórios produzidos na altura.

«O modelo foi muito semelhante, apesar de terem passado alguns anos. Tínhamos inclusive os registos e os relatórios dessa altura», explicou Jorge Marques.

A estrutura foi depois adaptada à previsão de visitantes transmitida pela organização e às alterações verificadas em Campo Maior desde a última edição.

Em 2015, segundo o coordenador, foram registadas 348 ocorrências até ao encerramento das Festas. Jorge Marques considera que o padrão observado este ano é semelhante ao das duas edições anteriores, com o calor novamente entre os principais motivos de intervenção, mas remete um balanço e uma comparação definitiva para depois do encerramento das festividades.

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