Moura apresentou na BTL – Bolsa de Turismo de Lisboa – uma estratégia turística assente no enoturismo e na valorização dos seus produtos identitários, mas o presidente da Câmara Municipal, Álvaro Azedo, em declarações ao Jornal ODigital.pt, aproveitou também para deixar críticas ao impasse em torno do Convento do Carmo.
O tema central da participação do concelho na feira é a celebração da Capital Europeia do Vinho do Baixo Alentejo, posicionando o vinho como motor da afirmação turística do território.
«Este é o grande ano dos vinhos do Baixo Alentejo e estamos a celebrar a Capital Europeia do Vinho. Moura vem celebrar os seus vinhos à BTL e apresentar o Moura Wine», afirmou o autarca, referindo-se ao evento agendado para 26 e 27 de junho, no Castelo de Moura.
Enoturismo como eixo estratégico
Álvaro Azedo sublinhou que o concelho quer consolidar o vinho como produto turístico estruturante, associado à tradição e à autenticidade do território.
«Temos tradição na produção de vinho, temos os nossos produtores, temos também as nossas talhas. Em Amareleja há toda uma autenticidade, uma vida do campo que nós temos que preservar e, acima de tudo, potenciar este nicho de mercado que é extraordinário e que faz parte da nossa identidade», declarou.
A par do vinho, Moura levou à BTL outros ativos, como o azeite, a Herdade da Contenda e a Estação Náutica de Moura, reforçando uma oferta que cruza natureza, património e gastronomia.
«Moura é a terra-mãe do azeite do Alentejo», afirmou, acrescentando que os produtores e as empresas locais acompanham o município nas ações de promoção externa.
O presidente destacou ainda a valorização do património urbano e das memórias locais, através de iniciativas que promovem percursos pelas ruas da cidade.
Críticas ao impasse do Convento do Carmo
Apesar da promoção do potencial turístico, o autarca deixou críticas à ausência de avanços no projeto do Convento do Carmo, integrado no programa Revive, que prevê a instalação de uma unidade hoteleira.
«Continuamos com muita conversa e com pouca ação», afirmou, referindo-se a contactos anteriores com responsáveis governamentais sobre o processo.
Álvaro Azedo sublinhou que o projeto está preparado, mas dependente de decisões ao nível central. «O Convento do Carmo é património nacional, é património do Estado, e o Estado tem sido o pior na gestão do seu património», declarou.
O presidente da Câmara considerou que os municípios do interior enfrentam dificuldades acrescidas na concretização de investimentos estruturantes. «É sempre tudo muito sacado a ferros, seja com qual for o Governo», afirmou.
Potencial à espera de concretização
Apesar das críticas, o autarca garantiu que o município continua empenhado na captação de investimento e na promoção do território.
«Há condições para se investir em Moura. O município é dinâmico na procura de investimento e no aperfeiçoar da relação com o mundo empresarial», disse.
Entre a aposta no enoturismo e a exigência de soluções para projetos estruturantes, Moura apresentou-se na BTL com uma estratégia que cruza promoção do território e reivindicação de investimento.


















