A diversificação da oferta turística e a defesa da autonomia regional na decisão sobre investimentos estruturantes são prioridades do Programa Regional Alentejo 2030, afirmou Tiago Teotónio Pereira, vogal executivo da Comissão Diretiva, em declarações ao Jornal ODigital.pt na Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL).
O responsável destacou que os fundos estruturais têm um papel determinante na qualificação da oferta turística e na valorização dos recursos endógenos. «Aquilo que procuramos fazer ao nível dos apoios do Programa Regional do Alentejo é precisamente apostar na diversificação da oferta», afirmou, sublinhando que a estratégia passa por apoiar produtos diferenciadores.
Enoturismo e valorização de recursos endógenos
Entre os exemplos apontados está o enoturismo, que classificou como «um produto endógeno da nossa região». Segundo Tiago Teotónio Pereira, esse posicionamento tem sido possível através do Programa de Valorização dos Recursos Endógenos, instrumento que também apoiou iniciativas como a Capital Europeia da Cultura.
O vogal executivo salientou que o turismo representa «uma parte de uma indústria muito importante da nossa região», mas defendeu a necessidade de acrescentar valor ao longo de toda a cadeia. «Temos que acrescentar valor precisamente em toda a cadeia e em tentar qualificá-la. E aí os fundos estruturais podem fazer a diferença», afirmou.
Autonomia regional como desafio estratégico
Questionado sobre os desafios futuros na articulação entre fundos europeus e turismo, Tiago Teotónio Pereira apontou a preservação da capacidade de decisão regional como fator central. «O principal desafio é mesmo esse», referiu, alertando para o risco de perda de autonomia na definição de projetos estruturantes para o território.
O responsável recordou que muitas das iniciativas hoje visíveis resultam de decisões estratégicas tomadas em articulação com a Entidade Regional de Turismo, operadores e municípios. «Conseguimos ter uma estratégia integrada», afirmou, defendendo que essa capacidade deve ser mantida no próximo quadro financeiro.
Descentralização e complementaridade de apoios
Sobre as críticas relativas à dispersão de verbas, Tiago Teotónio Pereira defendeu uma lógica de complementaridade. «A solução é nós termos uma oferta integrada também nos fundos», afirmou, explicando que a descentralização permitiu criar novos mecanismos de apoio e envolver diferentes beneficiários.
O Programa Regional Alentejo 2030 tem atualmente abertas linhas de financiamento dirigidas a comunidades intermunicipais e municípios na área da oferta turística, numa perspetiva de articulação com operadores privados e com a Entidade Regional de Turismo, que assume um papel agregador.
«É nesta articulação, neste diálogo, que nós vamos conseguindo construir soluções», concluiu, reiterando que a diversificação e a qualificação da oferta são eixos centrais da estratégia para o turismo no Alentejo.



















