A Biblioteca Pública de Évora vai voltar a promover um ciclo de sessões de biblioterapia, uma iniciativa que utiliza a leitura e a partilha de experiências como ponto de partida para refletir sobre temas ligados à saúde mental e às relações humanas.
O programa, que decorre entre março e julho, integra dez sessões dinamizadas pelas psicólogas Joana Alexandrino e Mariana de Campos, nas quais são analisados excertos de obras literárias que servem de base à conversa entre os participantes.
De acordo com a diretora da Biblioteca Pública de Évora, Zélia Parreira, em declarações ao jornal ODigital.pt, a biblioterapia baseia-se na utilização da leitura como forma de apoio emocional e reflexão sobre experiências de vida.
Segundo explicou, este conceito começou por surgir quando alguns médicos passaram a recomendar livros como forma de ajudar as pessoas a lidar com dificuldades emocionais consideradas ligeiras, como tristeza, ansiedade ou receios.
“A leitura permite perceber que outras pessoas já passaram por situações semelhantes e encontraram formas de lidar com elas. Os livros têm essa capacidade de criar empatia e de nos ajudar a colocar no lugar do outro”, afirmou.
Dez sessões para refletir sobre diferentes temas
O ciclo inclui dez encontros temáticos, que abordam diferentes aspetos da experiência humana. Entre os temas previstos estão memória, maternidade, alienação parental, diferenças de género na expressão emocional, depressão, guerra, vingança ou feminismo.
As sessões desenvolvem-se em grupo e têm como ponto de partida a leitura de excertos de livros. A partir desses textos, os participantes são convidados a refletir ou partilhar experiências relacionadas com os temas abordados.
Segundo Zélia Parreira, a participação é voluntária e cada pessoa pode intervir da forma que considerar mais confortável.
“Há pessoas que preferem falar e outras que optam por uma participação mais reservada. Não existe obrigatoriedade de intervenção. Cada participante reage da forma que considera mais adequada”, explicou.
No início do ciclo é aplicado um questionário anónimo, que permite identificar algumas preocupações ou dificuldades dos participantes. No final do programa é realizado um novo questionário para avaliar eventuais mudanças ao longo das sessões.
De acordo com a diretora da biblioteca, as edições realizadas anteriormente revelaram resultados positivos, com participantes a demonstrarem maior facilidade em lidar com diferentes situações do quotidiano.
Procura elevada leva a nova edição no segundo semestre
O grupo tem um limite máximo de 15 participantes, de forma a garantir um ambiente de confiança e privacidade durante as sessões.
Segundo Zélia Parreira, a iniciativa tem registado elevada procura desde a primeira edição, o que levou a biblioteca a preparar duas edições do programa ao longo do ano.
“Normalmente temos sempre a lotação esgotada e existem pessoas em lista de espera. Por isso, este ano teremos um ciclo no primeiro semestre e outro no segundo”, referiu.
A biblioterapia integra também uma preocupação mais ampla com a saúde mental. A Biblioteca Pública de Évora participa no programa regional de prescrição cultural, através do qual médicos de família podem recomendar a participação em atividades culturais a pessoas com dificuldades emocionais ligeiras.
Para a responsável, a leitura pode desempenhar um papel relevante na compreensão das experiências humanas e na forma como cada pessoa lida com as suas próprias dificuldades.
“Nem sempre percebemos o contexto de quem está à nossa frente. A leitura ajuda a compreender melhor as experiências e as dificuldades que cada pessoa pode estar a viver”, concluiu.

