A Comissão Coordenadora Distrital de Évora do Bloco de Esquerda (BE) pediu à Unidade Local de Saúde do Alentejo Central (ULSAC) que reabra a Unidade de Radioterapia do Hospital do Espírito Santo de Évora e esclareça os doentes e os trabalhadores sobre o futuro do serviço.
Num comunicado datado de 5 de setembro, o BE afirma que os tratamentos de radioterapia estão suspensos desde 1 de junho e que centenas de doentes oncológicos têm de se deslocar a Santarém, Faro ou Lisboa para prosseguirem os tratamentos.
Segundo o partido, o encerramento temporário destinava-se inicialmente à substituição de dois equipamentos de tratamento, incluindo os aceleradores lineares. A intervenção representa um investimento público estimado em quatro milhões de euros, financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).
O BE sustenta, contudo, que, depois da renovação dos equipamentos, a suspensão estará agora relacionada com problemas no funcionamento do serviço. O comunicado não apresenta uma data prevista para a retoma dos tratamentos em Évora.
Concurso para a Radioterapia avaliado em 18,6 milhões de euros
O comunicado refere ainda que a ULSAC lançou, em fevereiro de 2026, um concurso para uma nova concessão do Serviço de Radioterapia. O procedimento, com um valor de 18.658.209 euros, previa um contrato de quatro anos, prorrogável por mais um.
De acordo com o BE, o concurso contou com uma proposta da Joaquim Chaves Oncologia, empresa que atualmente assegura o serviço, e terá sido ganho pela Altrys Portugal, que já geriu anteriormente a unidade.
O partido acrescenta que o procedimento «terá acabado por ser anulado», alegadamente pelo Tribunal de Contas, mas afirma desconhecer os fundamentos dessa decisão. O comunicado não inclui documentação sobre o processo nem uma resposta da ULSAC, das empresas mencionadas ou do Tribunal de Contas.
BE pede garantias para os trabalhadores
O Bloco de Esquerda manifesta também preocupação com os postos de trabalho dos técnicos de radioterapia. Segundo o partido, os contratos com a Joaquim Chaves Oncologia não foram afetados até ao momento, mas os trabalhadores não terão recebido informação sobre o futuro da unidade.
Na prática, o BE defende que a própria ULSAC passe a assegurar diretamente os tratamentos de radioterapia, deixando o serviço de estar concessionado a uma entidade privada.
O partido pede ao presidente do Conselho de Administração da ULSAC que tome as medidas necessárias para reabrir a unidade e que divulgue informação sobre a retoma dos tratamentos, a situação dos trabalhadores e o modelo de funcionamento previsto para o serviço.
















