O Alentejo continua a destacar-se pelos elevados níveis de concentração do mercado da hemodiálise e pelas maiores distâncias percorridas pelos utentes até às unidades onde realizam os tratamentos.
A conclusão consta da mais recente Informação de Monitorização da Entidade Reguladora da Saúde (ERS), que analisa a evolução do setor convencionado de hemodiálise durante o ano de 2025.
Segundo o relatório, embora a situação concorrencial tenha registado uma ligeira melhoria a nível nacional, várias sub-regiões alentejanas continuam entre aquelas onde existe menor concorrência entre operadores privados, mantendo-se alguns dos índices de concentração mais elevados de Portugal.
No final de 2025 estavam registados em Portugal Continental 12.836 utentes em tratamento de hemodiálise, dos quais 91,3% eram acompanhados em unidades privadas ou do setor social, através de convenções com o Serviço Nacional de Saúde (SNS). Apenas 8,7% realizavam os tratamentos em hospitais públicos. O SNS continua a suportar praticamente todo o financiamento destes cuidados, assegurando 98,7% da despesa.
Mercado continua altamente concentrado no Alentejo
A ERS voltou a avaliar a estrutura concorrencial do setor através do Índice Herfindahl-Hirschman (IHH), utilizado internacionalmente para medir a concentração dos mercados.
Os resultados mostram que todas as regiões do Alentejo apresentam valores muito superiores ao limiar considerado preocupante pela Comissão Europeia.
Em 2025, o Alentejo Litoral registou um IHH de 9.060 pontos, enquanto o Baixo Alentejo atingiu os 9.030 pontos, ambos muito próximos do valor máximo de 10.000 pontos, indicador típico de mercados próximos do monopólio.
No Alentejo Central, o índice situou-se nos 6.031 pontos, acima dos 5.850 registados em 2024, revelando um agravamento da concentração.
Já o Alto Alentejo apresentou uma ligeira melhoria, passando de 4.591 para 4.332 pontos, embora continue igualmente classificado como um mercado altamente concentrado.
A própria ERS identifica expressamente o Baixo Alentejo, o Alentejo Litoral e a Beira Baixa como as três regiões do país onde o mercado se encontra mais concentrado.
Baixo Alentejo passa a apresentar situação de duopólio
Outro dos indicadores analisados diz respeito à quota de mercado dos principais operadores privados.
No Baixo Alentejo, o maior operador passou a concentrar 94,9% dos utentes, reforçando a posição que já detinha em 2024.
Além disso, a ERS assinala que a região passou a apresentar uma situação de duopólio dos dois maiores grupos nacionais, circunstância que não se verificava no ano anterior e que representa um agravamento da estrutura concorrencial.
Também no Alentejo Litoral a quota do principal operador permanece muito elevada, situando-se nos 95,1%.
No Alentejo Central, o maior operador concentra 73,1% dos utentes, enquanto no Alto Alentejo a quota é de 57,8%.
Utentes do Baixo Alentejo continuam a fazer as maiores deslocações
O estudo analisa igualmente os tempos médios de deslocação entre a residência dos utentes e as unidades onde realizam as sessões de diálise.
É neste indicador que o Baixo Alentejo volta a destacar-se negativamente.
Em média, cada utente demora 50 minutos e 37 segundos a chegar ao local onde recebe tratamento, o valor mais elevado de todo o país.
No restante Alentejo, os tempos médios também permanecem acima da média nacional:
- Alentejo Litoral: 42 minutos e 10 segundos;
- Alto Alentejo: 38 minutos e 19 segundos;
- Alentejo Central: 31 minutos e 20 segundos.
Em comparação, a média nacional é de apenas 17 minutos e 20 segundos.
Apesar disso, o Alto Alentejo foi uma das poucas regiões do país onde se verificou uma redução do tempo médio de deslocação relativamente ao ano anterior, com menos dois minutos e 49 segundos.
Diálise continua a representar a maior despesa das convenções do SNS
O relatório conclui igualmente que a diálise permanece como a área convencionada com maior impacto financeiro para o Serviço Nacional de Saúde.
Durante 2025, os encargos ultrapassaram 270,9 milhões de euros, correspondendo a 27% de toda a despesa do Estado com convenções na saúde.
O aumento de cerca de 3% relativamente ao ano anterior resulta da atualização do preço compreensivo por doente, aplicada desde janeiro de 2025 após vários anos sem alterações.
ERS vai continuar a acompanhar o setor
Apesar da ligeira diminuição dos indicadores nacionais de concentração, a Entidade Reguladora da Saúde considera que continuam a existir fatores que justificam uma monitorização permanente do setor.
O organismo sublinha que, em Portugal Continental, os dois maiores grupos privados continuam a deter 71,7% do mercado, situação que continua a suscitar preocupações concorrenciais, sobretudo em regiões como o Baixo Alentejo e o Alentejo Litoral, onde a oferta permanece fortemente concentrada.



















