Está em consulta pública a Avaliação de Impacte Ambiental (AIA) do Circuito Hidráulico de Reguengos e respetivo bloco de rega, um projeto inserido na segunda fase do Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva (EFMA). A infraestrutura prevê a adução e distribuição de água para beneficiar cerca de 8 800 hectares de terrenos agrícolas na região do Alentejo Central.
De acordo com os documentos consultados pel’ODigital.pt, o projeto inclui a construção de uma rede principal com três troços de conduta, num total de 23 quilómetros, que ligam o canal Álamos-Loureiro à albufeira da Barragem da Vigia. Está ainda prevista a criação de dois reservatórios de regularização e de uma estação elevatória para garantir o abastecimento de água aos blocos de rega.
A área abrangida pelo Circuito Hidráulico de Reguengos estende-se pelos concelhos de Évora, Portel, Redondo e Reguengos de Monsaraz. Entre as principais infraestruturas previstas, destacam-se a tomada de água no Sifão S1 do canal Álamos-Loureiro, a conduta adutora gravítica até ao reservatório da Bragada e a conduta elevatória para o reservatório da Furada. A albufeira da Vigia será o ponto de entrega final da água.
Além disso, estão previstos quatro blocos de rega: Peral (1 300 hectares), Vendinha (1 200 hectares), Montoito (1 500 hectares) e Reguengos (4 800 hectares). A distribuição de propriedade varia entre pequenas e grandes explorações agrícolas.
A execução do projeto insere-se na política de expansão do regadio do EFMA, visando a melhoria da produtividade agrícola na região e a gestão eficiente dos recursos hídricos.
O Estudo de Impacte Ambiental aponta para várias alterações no ecossistema local, particularmente no que diz respeito à biodiversidade, qualidade da água e uso do solo.
A introdução de novas infraestruturas hidráulicas poderá afetar o regime hidrológico da região. O estudo recomenda a implementação de um programa de monitorização da qualidade da água, incluindo a avaliação de linhas de água como a ribeira da Aldeia, a ribeira do Pigeiro, a ribeira da Caridade e o ribeiro da Vila. Está ainda prevista a instalação de quatro piezómetros para avaliar a qualidade das águas subterrâneas.
A área do projeto inclui habitats naturais relevantes, nomeadamente montados de sobro e azinho. O estudo indica que cerca de 1,62 hectares de povoamentos florestais serão diretamente afetados, estimando-se o abate de 69 azinheiras e a afetação indireta de mais de 400 exemplares. Como medida compensatória, será implementado um plano de reflorestação com o plantio de novas árvores.
No que respeita à fauna, foi identificada a presença de espécies protegidas, como a águia-real (Aquila chrysaetos), cujo habitat será monitorizado durante e após a implementação do projeto. A transformação da paisagem agrícola poderá ainda impactar a população de aves estepárias, incluindo o sisão (Tetrax tetrax), espécie classificada como vulnerável.
Ainda segundo os documentos, o projeto insere-se no Programa Regional de Ordenamento Florestal do Alentejo, respeitando as diretrizes para a conservação dos recursos naturais e a sustentabilidade agrícola. Contudo, o aumento da atividade agrícola poderá resultar na emissão de partículas para a atmosfera, exigindo medidas de mitigação para minimizar os impactos na qualidade do ar.
A transição de culturas de sequeiro para regadio poderá intensificar a emissão de gases com efeito de estufa, devido ao maior consumo de energia nas estações elevatórias e ao uso de fertilizantes. O estudo sugere a adoção de práticas agrícolas sustentáveis para reduzir a pegada ambiental.
A documentação do projeto está disponível para consulta pública, após esta fase, será emitida a Declaração de Impacte Ambiental, que poderá condicionar a execução da obra.



















