Autárquicas: Vontade de mudança “tira” Vila Viçosa à CDU

Inácio Esperança

O presidente eleito da Câmara de Vila Viçosa, Inácio Esperança (PSD/CDS-PP/PPM/MPT), que ‘destronou’ a CDU, atribuiu hoje a vitória à vontade de mudança dos munícipes e à alternativa que representou o seu “projeto em equipa”.

“Eu estava à espera de um bom resultado e acreditava na vitória, mas não com uma maioria destas”, ou seja, maioria absoluta, reconheceu hoje à agência Lusa o novo autarca, da coligação intitulada “Movimento por Vila Viçosa”.

Inácio Esperança considerou que o resultado eleitoral espelha que “as pessoas” de Vila Viçosa “queriam a mudança” e que a sua “equipa funcionou”.

“As pessoas estavam um bocado cansadas do sistema [que existia]. Deram oportunidade várias vezes e as coisas não arrancaram”, tendo sentido que “o concelho estava parado e que o património estava abandonado e havia pouca solução para isso”, argumentou.

Entretanto, “apareceu esta alternativa” e o que pesou foi “o projeto em equipa”, no qual “as pessoas acreditaram”, continuou o presidente eleito, deixando uma promessa: “Agora, não as podemos defraudar”.

Nas autárquicas de domingo, o PSD/CDS-PP/MPT/PPM conquistou à CDU esta câmara alentejana, com 51,45% dos votos, o que vale cinco dos sete mandatos no município, e venceu ainda na assembleia municipal e nas quatro freguesias.

A segunda candidatura mais votada ao município foi a do PS, com 26,78% e com um eleito, e a terceira foi a da CDU, com 18,72% dos votos, o que faz com que a coligação PCP/PEV passe dos dois mandatos conquistados nas eleições de 2017 e da posição de liderança para, no próximo mandato, apenas um eleito.

Segundo o portal de dados estatísticos EyeData, disponível em www.lusa.pt, com a vitória da candidatura encabeçada por Inácio Esperança, o PSD (coligado ou isolado) volta a ganhar Vila Viçosa 28 anos depois.

Segundo Inácio Esperança, terminadas as eleições, vai, “em primeiro lugar, marcar de imediato reuniões com os detentores do património” local, isto é, com a Fundação da Casa de Bragança e Igreja.

O património “está bastante degradado” e é necessário começar “a elaborar um plano estratégico de intervenção”, defendeu.

“Temos igrejas em queda” e “o próprio Santuário Nacional [de Nossa Senhora da Conceição] tem graves problemas na estrutura, que põem em risco a sua sustentabilidade a médio e longo prazo”, pelo que é necessário intervir, exemplificou.

Outra das prioridades passa por “reunir com os empresários e iniciar de imediato a revisão do Plano Diretor Municipal (PDM) e pedir à CCDR que inicie a revisão do Programa Regional de Ordenamento do Território (PROT) aqui da Zona dos Mármores”.

O objetivo da revisão deste último instrumento passa por “conseguir resolver o problema das explorações” de mármore, cuja exploração se torna “perigosa” por causa “dos caminhos municipais e vicinais”, disse frisando que é preciso “reduzir essa questão do risco iminente para que possam laborar e até alargar áreas de exploração”.

Na área do apoio social, a prioridade vai ser “construir três lares no concelho, a custos próprios ou com candidaturas” a outros apoios, acrescentou, indicando que vai reunir-se com Instituições Particulares de Solidariedade Social.