O PSD, isolado ou coligado com o CDS-PP, e o movimento Candidatura Livre e Independente por Portalegre (CLIP) governaram nos últimos 24 anos o município de Portalegre, sendo esta uma câmara que desde 2001 foge ao PS.
A liderança da Câmara de Portalegre “fugiu das mãos” dos socialistas há 24 anos, depois de Amílcar Santos cumprir apenas um mandato, cabendo a vitória em 2001 a José Fernando da Mata Cáceres, eleito pelo PSD.
Até 2011, Mata Cáceres liderou o município, tendo saído a meio do terceiro e último mandato para dar lugar a Adelaide Teixeira (2011/2013) que, nas eleições autárquicas seguintes, surgiu como candidata da CLIP, tendo liderado a Câmara de Portalegre durante dois mandatos consecutivos, até 2021.
Já em 2021, a Câmara de Portalegre voltou a ser conquistada pelo PSD em coligação com o CDS/PP, tendo ao leme a atual presidente do município, Fermelinda Carvalho, que nestas autárquicas se recandidata a um segundo mandato.
Segundo dados da plataforma estatística Pordata, este concelho, com 447,14 quilómetros quadrados de área, tinha, em 2024, uma população de 21.774 pessoas.
À semelhança de outros concelhos do Alentejo, Portalegre não foge ao envelhecimento da população, com 241,3 idosos por cada 100 jovens, em 2024, ainda de acordo com a Pordata.
Sem ligação direta por autoestrada e com uma estação de comboios a mais de 10 quilómetros da cidade, Portalegre continua, segundo muitos, com o futuro “adiado”.
Enquanto o concelho aguarda pela criação de mais emprego para acolher mais pessoas no território, os autarcas da região têm reivindicado uma ligação por autoestrada à A23 ou à A2, tendo também sido “um desejo” a concretização do traçado do Itinerário Complementar 13 (IC13).
A concretização do IC13 colocaria Portalegre na rota de Alcochete, distrito de Setúbal e, futuramente, seria estruturante para a região alentejana esta ligação, uma vez que está previsto o novo aeroporto para aquela região periférica de Lisboa.
Com um tecido empresarial débil, onde a agricultura ocupa grande parte das populações e o turismo, aos poucos, “a dar um ar da sua graça” com a oferta de novos produtos e espaços hoteleiros, Portalegre necessita sobretudo, como é unanimemente reconhecido, de habitantes, no sentido de inverter a situação demográfica.
É este o cenário, com a serra de São Mamede como ‘pano de fundo’, que os candidatos têm pela frente nas eleições autárquicas, a que se juntam os problemas relacionados com a habitação ou a “demora” na concretização do projeto para a construção da nova escola de praças da GNR por parte da tutela.
O atual executivo é composto por três eleitos da coligação PSD/CDS-PP, dois do PS e dois da CLIP.
Na Assembleia Municipal de Portalegre, onde a coligação PSD/CDS-PP tem 12 eleitos, a oposição tem maioria, com oito do PS, oito da CLIP e um da CDU.
As eleições autárquicas estão marcadas para 12 de outubro.



















