A cabeça de lista do movimento independente MCE à Câmara de Évora lamentou hoje a perda pelo concelho do “papel pioneiro” ao nível dos PDM em Portugal, que já devia ter sido revisto, tal como o Plano de Urbanização.
“Já perdemos o papel pioneiro e perdemos as regras de que de 10 em 10 anos [é preciso] rever o Plano Diretor Municipal [PDM] e o Plano de Urbanização”, disse à agência Lusa a candidata à presidência do município pelo Movimento Cuidar de Évora (MCE), Florbela Fernandes.
À margem de uma ação de campanha que começou ‘madrugadora’, pouco depois das 07:30, nos serviços de urbanismo da câmara, e que incluiu o contacto com trabalhadores da água e saneamento, a candidata enfatizou que, se for eleita nas autárquicas do dia 12, vai dedicar atenção a estes dois instrumentos de ordenamento territorial.
“São de 2013 e já estamos em 2025. Contudo, eu acho que [o próximo] é um mandato muito importante, porque vamos poder concluir essa revisão dos dois documentos”, destacou.
A Câmara de Évora foi a primeira do país a criar um PDM, em 1985.
Florbela Fernandes, vereadora do MCE neste mandato camarário, lembrou que em junho deste ano o executivo aprovou, com os votos a favor da gestão CDU (PCP/PEV) e também o seu, uma alteração ao PDM, “por força da Lei dos Solos, para reduzir os perímetros urbanos”.
“Concordo com a redução dos perímetros urbanos enquanto houver, dentro da malha urbana, capacidade de edificação”, reforçou, lembrando que a alteração reduziu em 14 quilómetros quadrados o perímetro urbano.
Mas, ao mesmo tempo, garantiu “o aumento da edificação”, tal como tornou possível “edificar em altura”, permitindo que um empreiteiro, “num mesmo lote, consiga construir mais”, sublinhou a independente.
As questões da habitação ou da limpeza têm estado presentes no dia-a-dia de campanha. A candidata relatou ouvir “queixas muito ligadas ao lixo e limpeza da cidade” e frisou à Lusa estar preocupada com a perda de jovens.
“Os jovens vão-se todos embora para as aldeias. Uma coisa é irmos por opção, temos mais o vagar do Alentejo, outra é irmos porque não temos solução em Évora e a cidade precisa de rejuvenescer”, defendeu.
Os cerca de 20 funcionários da câmara que receberam hoje a candidata e a restante comitiva do MCE apresentaram muitas queixas sobre as condições de trabalho, desde a falta de material e de fardamento aos ordenados reduzidos e à falta de um espaço onde, no final do dia, possam pelo menos tomar um banho.
“Chego a casa todo sujo e nem o ordenado que ganho chega para lavar a roupa”, disse um trabalhador, que, ao mesmo tempo, deixou um ‘recado’ a todos os políticos, por aparecerem “nesta altura” e depois desaparecerem. Em resposta, Florbela Fernandes disse-lhe que visitou o espaço como vereadora e prometeu voltar como presidente.
Concorrem também à Câmara de Évora João Oliveira (CDU – PCP/PEV), Carlos Zorrinho (PS), Henrique Sim-Sim (PSD/CDS-PP/PPM), Ruben Miguéis (Chega), Pedro Ferreira (BE) e Fábio Cabaço (IL).
O atual executivo municipal, liderado por Carlos Pinto de Sá (CDU), a cumprir o seu terceiro e último mandato, é composto por dois eleitos da CDU, dois do PS, dois do PSD e um do MCE, mas a mesa da assembleia municipal está nas ‘mãos’ dos socialistas.



















