Autárquicas: Independentes em Elvas atribuem pelouros a PS e PSD/CDS-PP

Câmara de Elvas

O presidente da Câmara de Elvas (Portalegre), José Rondão de Almeida, eleito por um movimento independente, vai gerir o município apoiado pelos vereadores eleitos pela oposição PS e coligação PSD/CDS-PP, revelou hoje o próprio à agência Lusa.

O autarca, antigo presidente socialista da Câmara de Elvas, entre 1994 e 2013, venceu as eleições autárquicas de 26 de setembro pelo Movimento Cívico por Elvas (MCPE), ‘roubando’ o município ao PS, mas com maioria relativa.

Os resultados eleitorais ditaram três eleitos para o MCPE, outros tantos para o PS e um para a coligação PSD/CDS-PP.

“Convidei todos eleitos [após a tomada de posse] para termos uma reunião e falarmos de uma forma aberta sobre quais eram os nossos objetivos e, chegámos à conclusão, de que os objetivos eram comuns”, afirmou.

Segundo o autarca, “todos” os eleitos se manifestaram “disponíveis para poder trabalhar por Elvas, respeitando sempre aquilo que colocaram no seu programa eleitoral”.

Após uma “análise” a todos os programas eleitorais, os eleitos chegaram à conclusão de que “praticamente 98%” dos programas das forças políticas eram comuns, acrescentou.

“Foi grato verificar que desde a eleita da coligação PSD/CDS-PP, passando pelos eleitos do PS, todos se mostraram disponíveis para trabalhar por Elvas, tendo em atenção que o presidente da câmara se comprometia a respeitar aquilo que ao fim e ao cabo eram os seus projetos”, disse.

Para o presidente da Câmara de Elvas, este acordo pós-eleitoral com distribuição de pelouros por todos os vereadores, não coloca em causa o estatuto de oposição ao longo do mandato.

“A nossa oposição vai ser a população, quando fizer a apreciação do nosso trabalho”, argumentou.

Após a tomada de posse, o antigo presidente da Câmara de Elvas, Nuno Mocinha (PS), suspendeu o mandato, ficando como vereadores com pelouros os socialistas Cláudio Monteiro, Vitória Branco e Tiago Afonso.

Contactado pela Lusa, Cláudio Monteiro explicou que o acordo com o MCPE consiste num “entendimento verbal”, confirmando que esta decisão surge porque os programas “são similares”.

Trata-se de um entendimento, “acima de tudo, por Elvas, pelos elvenses. Foi pacífico dentro da comissão política do PS, cada membro tem a sua opinião, mas a decisão final foi unânime”, frisou.

O eleitorado do PS entende “perfeitamente” esta decisão, porque votou no programa do partido e as propostas “vão ser concretizadas”, assinalou o vereador socialista.

“Não vamos defraudar ninguém, é um ato responsável acima de tudo”, sublinhou, afiançando que vai ser desenvolvida uma oposição “construtiva”.

A eleita pela coligação PSD/CDS-PP, Paula Calado, explicou à Lusa que este acordo “tácito” com o MCPE passa também por desenvolver uma oposição de forma “pontual” ao longo do mandato.

“A oposição faz-se de forma pontual, sempre, ponto a ponto. Concordamos, muito bem, passa”, mas, se “não concordamos, dizemos o porquê e, se tivermos que votar contra alguma coisa, far-se-á”, assumiu.

Paula Calado considerou que o facto de aceitar pelouros “não pode condicionar” um papel de oposição no executivo municipal.