Autárquicas/Évora: CDU renova aposta em presidente já ‘dinossauro’ do poder local

Carlos Pinto de Sá

Já considerado um ‘dinossauro’ do poder local, por levar quase 30 anos como presidente de câmara, Carlos Pinto de Sá recandidata-se pela CDU ao município de Évora para tentar segurar a autarquia nas mãos dos comunistas.

A recandidatura surgiude comum acordo”, porque “houve um convite” da CDU e existe “o desafio” de dar continuidade ao projeto iniciado em 2013, quando ‘roubou’ a câmara ao PS, afirma à agência Lusa o cabeça de lista da coligação formada por PCP e PEV.

O primeiro mandato e o atual “foram terríveis”, admite, argumentando que, após 12 anos de governação socialista, a gestão CDU encontrou “uma câmara na falência, sem dinheiro e desorganizada, e um concelho descredibilizado”.

Foi possível recuperar a câmara e o concelho e, agora, há mais condições e meios diferentes para começar a fazer investimento estruturante”, salienta. Se for reeleito, promete, será “um mandato mais desafiante”.

O concelho ainda tem “situações de carência que é preciso resolver”, como o estado das redes viária e de abastecimento de água, reconhece o candidato, que pretende “reforçar a prioridade” na áreas da cultura, património e ambiente.

Carlos Pinto de Sá, de 63 anos, ambiciona que “Évora seja uma referência de uma cidade média que tem capacidade de inovação e de mostrar novos caminhos”.

Natural de Montemor-o-Novo, no mesmo distrito, presidiu a essa câmara municipal, eleito pela CDU, durante cinco mandatos consecutivos, entre 1993 e 2012, sempre com maioria absoluta.

Em dezembro de 2012, quando já não podia recandidatar-se nas autárquicas seguintes, em 2013, devido à lei de limitação de mandatos, saiu da câmara e voltou a lecionar na Universidade de Évora (UÉ), como professor de Economia.

Mas o regresso à academia durou menos de um ano. Aceitou o desafio de encabeçar a lista da CDU à Câmara de Évora nas eleições de 2013 e recandidatou-se em 2017.

Passados quase 30 anos a liderar municípios, aceita o rótulo de ‘dinossauro’ do poder local: “É verdade, são muitos anos como presidente de câmara e, portanto, muita experiência”, assinala.

O cabeça de lista conta que a família paterna tem origens em Montemor-o-Novo e a materna é de Évora, e que estes seus avós até viveram na Praça do Sertório, onde se situam os Paços do Concelho.

Com os primeiros anos de escola passados em Montemor-o-Novo, Pinto de Sá continuou os estudos em Évora, onde terminou o liceu, e fez o bacharelato em Ciências Sociais e a licenciatura e o mestrado em Economia.

Enquanto estudava à noite na UÉ, com 17 anos, começou a trabalhar na área da contabilidade numa empresa agrícola e, após terminar o curso, deu aulas de Matemática na Escola Secundária André de Gouveia. Foi professor noutras escolas, em Montemor-o-Novo e em Vendas Novas, antes de ingressar como docente na UÉ.

Militante do PCP desde 1974, Pinto de Sá foi um dos fundadores da atual Associação Académica da universidade e, nessa altura, pertenceu a um grupo de estudantes que reivindicou a abertura de um bar na academia, o que foi alcançado “poucas semanas” depois.

Vive em união de facto e tem duas filhas, gosta de ler e de ouvir música de “vários estilos e origens” e, quando era mais novo, até foi “viola baixo” num conjunto musical que atuava em bailes.

Adepto do Benfica, mas sem ser “fanático”, o autarca é neto de um dos primeiros sócios do Juventude de Évora e habituou-se a acompanhar, com o irmão, o avô materno nos jogos de futebol na cidade. Ainda hoje, diz, gosta de ver “um bom jogo de futebol”.

Foi praticante não federado dessa modalidade, mas também de corrida, ténis de mesa, basquetebol e voleibol. Nas férias, todos os anos, não dispensa um passeio pelo Algarve.

É o atual presidente da Comunidade Intermunicipal do Alentejo Central, mas, neste mandato autárquico, o cargo foi exercido, em regime rotativo, com o presidente do município de Reguengos de Monsaraz, José Calixto, seu adversário na corrida pela Câmara de Évora, como candidato do PS.

Pinto de Sá vai ainda disputar as eleições deste ano com Henrique Sim-Sim (PSD/CDS-PP/PPM/MPT), Raul Rasga (BE) e Humberto Baião (Chega).

O executivo municipal é formado por quatro eleitos da CDU, dois do PS e um do PSD.

Por: Sérgio Major