Autárquicas/Évora: Antigo militante do CDS-PP, candidato do Chega quer ser autarca

Carlos Magno Magalhães

O antigo militante do CDS-PP, Carlos Magno, pretende ser presidente da Câmara Municipal de Évora candidatando-se agora pelo Chega.

Depois de mais de 35 anos como militante de base do CDS-PP, o oficial de justiça Carlos Magno Magalhães abandonou os centristas, ajudou a fundar o Chega e agora quer ser presidente da Câmara de Évora.

Magalhães, presidente da distrital de Évora do Chega, é o candidato do partido à câmara nas eleições de 26 de setembro e foi o último a entrar na corrida autárquica, pois o seu nome foi anunciado em julho, um mês depois da retirada do anterior cabeça de lista.

“Isso foi um ‘tiro nos pés’. Agora, estou cá eu e é aquilo que eu sempre disse: o presidente de uma distrital tem de estar sempre na retaguarda”, afirma o candidato, em declarações à agência Lusa.

O anterior candidato, o professor aposentado Humberto Baião, foi anunciado em abril como cabeça de lista do Chega a Évora, mas acabou por retirar a candidatura, no início de junho, alegando divergências com as estruturas partidárias locais.

Natural de Huambo (Angola), mas a residir em Évora há mais de 40 anos, Carlos Magno Valença Ferreira Walter de Magalhães, de 51 anos, é oficial de justiça e desempenha atualmente funções no tribunal do concelho vizinho de Redondo.

A liderar a distrital de Évora do Chega desde fevereiro de 2020, o político é também conselheiro nacional e membro da equipa de fundadores do partido, e foi candidato por Évora nas legislativas de 2019.

“Desde que me conheço como gente que sou de direita”, sublinha, recordando que entrou para o CDS-PP quando tinha 14 anos e que só saiu por discordar do rumo do partido: “Comecei a achá-lo muito próximo do PSD”, refere.

Carlos Magalhães conta que, quando saiu do CDS-PP, em 2018, partido onde diz nunca ter tido cargos nem integrado listas candidatas em eleições, “já estava no grupo” de pessoas que estava a trabalhar para a formação do Chega.

“Conheci, nessa altura, o André Ventura [presidente do Chega] e identifiquei-me completamente”, salienta, explicando que o líder do partido diz “aquilo que as pessoas têm medo de dizer, e o que as pessoas falam nos cafés e não falam cá para fora”.

Entre as principais propostas que tem para Évora, o candidato do Chega quer, “em primeiro lugar”, avançar com “a recuperação total da cidade”, com obras em arruamentos, saneamento e rede de abastecimento público de água.

“É fundamental pôr novamente esta cidade limpa”, realça, propondo também “a recuperação de todo o centro histórico” e a reabilitação de casas devolutas desta zona da cidade, “muitas delas pertencentes ao Estado”.

Mostrando-se contra a câmara municipal “ser dona de casas”, Carlos Magno Magalhães defende que os imóveis devem recuperados pelo município e vendidos “a preços controlados” aos jovens para “dar vida” a esta zona da cidade.

A pavimentação de estradas e o abastecimento público de água nas zonas rurais do concelho com quintas são outras das suas ideias.

Carlos Magno Magalhães saiu com a família do país onde nasceu, Angola, devido à guerra civil, em 1977, quando tinha 7 anos, e o destino foi Lisboa. Dois meses depois, rumou ao Alentejo.

“Vim para Évora porque o meu pai veio trabalhar para a [então] Direção-Geral da Viação do Sul, era inspetor examinador e eu tive aulas nas escolas primária do Rossio, Santa Clara e Gabriel Pereira, e no 9.º ano fui para a Severim Faria”, recorda.

Mais tarde, entrou para Economia na Universidade de Évora, mas não acabou o curso, cumpriu o serviço militar em Estremoz e trabalhou quatro anos em decoração, antes de entrar para os quadros do Ministério da Justiça.

Adepto “ferrenho” do Futebol Clube do Porto e do Lusitano de Évora, chegou a vestir a camisola verde e branca da equipa alentejana na modalidade de andebol e é um dos sócios fundadores da Associação de Desportos de Combate de Évora.

Casado e pai de três raparigas, o candidato do Chega diz que tem pouco tempo livre e o que lhe resta passa-o na sua quinta, situada na periferia de Évora, onde vive e tem “uma horta, três ovelhas e umas galinhas”.

Nas autárquicas do próximo dia 26 deste mês, Carlos Magno Magalhães tem como adversários políticos na ‘luta’ pela Câmara de Évora o atual presidente do município, Carlos Pinto de Sá (CDU), José Calixto (PS), Henrique Sim-Sim (PSD/CDS-PP/PPM/MPT), Raul Rasga (BE) e Florbela Fernandes (Nós, Cidadãos!/RIR).

O executivo municipal de Évora é formado por quatro eleitos da CDU, dois do PS e um do PSD.

Por: Sérgio Major (Lusa)