Autárquicas: Candidato da CDU acusa maioria PS em Beja de ser subserviente ao Governo

Vitor Picado Beja

O candidato da CDU à presidência da Câmara de Beja acusou hoje a maioria socialista do executivo municipal de ser “subserviente com os ditames” do Governo PS, que “tem desprezado de forma quase olímpica o interior”.

O executivo municipal, liderado por Paulo Arsénio, que está no final do primeiro mandato e é recandidato pelo PS, “permanece subserviente com os ditames de um Governo que tem desprezado de forma quase olímpica o interior”, disse à agência Lusa Vítor Picado.

O candidato falava à margem de uma ação de campanha para as autárquicas de domingo, que decorreu nos Paços do Concelho, onde contactou com trabalhadores do município.

Vítor Picado criticou o secretário-geral do PS, António Costa, por não ter dito “nem uma palavra” sobre projetos “estruturantes” para o concelho, num comício em Beja, na terça-feira.

Isto “ao contrário” do que se tem passado na campanha eleitoral, com o também primeiro-ministro a fazer “promessas de um conjunto de coisas muito bem localizadas em diversos sítios, até procurando manipular os dados para as autárquicas”.

“Obviamente não queremos [CDU] promessas, fartos de promessas estamos nós, queremos ações concretas, mas não termos uma palavra” sobre projetos “estruturantes” para o concelho, “é, de facto, notório do estado de abandono a que estamos votados”, vincou.

O candidato lamentou não se ter falado da construção do IP8 entre Sines, Beja e Vila Verde de Ficalho, da modernização e eletrificação dos troços entre Casa Branca, Beja e Funcheira da linha ferroviária do Alentejo e da dinamização do aeroporto de Beja.

“A maioria PS [que lidera a autarquia] nada diz acerca destas situações”, criticou, defendendo que um executivo municipal “tem que ter firmeza, determinação e, se for necessário passar semanas nos corredores do poder, que assim seja”.

O executivo municipal “tem que ter essa posição firme junto das instâncias regionais e nacionais no sentido de reivindicar” os três projetos, que, por serem “sucessivamente adiados”, já se tornaram “o triângulo do descontentamento”.

O candidato disse que os eleitos da CDU já estão “cansados de pedir” à maioria PS do executivo municipal para colocar “tanta energia na reivindicação da segunda fase do hospital público” de Beja, “como tem colocado” na construção do Hospital Privado do Alentejo, projetado para a cidade.

“O hospital privado é bem-vindo, caso se concretize, mas antes disso precisamos [de] ser fortes e determinados na defesa intransigente de saúde para todos e isso passa naturalmente pela construção da segunda fase do hospital” público, vincou.

A candidatura da CDU à Câmara de Beja espera “a vitória” no domingo para poder “retirar” o concelho “do atual estado de estagnação em que se encontra e desta subserviência política institucional a um Governo que tem desprezado o interior”, rematou.

Nas autárquicas de domingo, além de Vítor Picado, concorrem à Câmara de Beja Paulo Arsénio (PS), Nuno Palma Ferro (PSD/CDS-PP/PPM/Iniciativa Liberal/Aliança), Gonçalo Monteiro (Bloco de Esquerda) e Pedro Pinto (Chega).