Autárquicas/Beja: Na corrida à câmara, uns querem quebrar ‘enguiços’ e outros são pela tradição

Cidade de Beja

O presidente da Câmara de Beja quer ‘quebrar o enguiço’ da mais recente tradição eleitoral e conseguir a reeleição, mas a CDU pretende recuperar o antigo ‘bastião’ e uma coligação liderada pelo PSD ambiciona também mudar o rumo do concelho.

Desde 1976, quando se realizaram as primeiras eleições autárquicas depois do 25 de Abril, e até 2009, quando o PS a conquistou pela primeira vez, a Câmara de Beja foi liderada pela CDU ou por outras coligações encabeçadas pelo PCP.

No pós-25 de Abril e até agora, apenas dois nomes eleitos pelo PS figuram como presidentes deste município alentejano: Jorge Pulido Valente, no mandato entre 2009 e 2013, e Paulo Arsénio, o atual presidente, eleito em 2017, e agora recandidato.

O socialista quer pôr fim à ‘tradição’ que tem marcado a história da liderança da autarquia da capital do Baixo Alentejo neste século.

É que, desde os tempos de José Carreira Marques (CDU), presidente da Câmara de Beja entre 1982 e 2005, não há um autarca que tenha estado à frente dos destinos do município por mais do que um mandato.

Francisco Santos (CDU), entre 2005 e 2009, Jorge Pulido Valente (PS), de 2009 a 2013, e João Rocha (CDU), entre 2013 e 2017, só ocuparam o lugar durante quatro anos, o mesmo período que Paulo Arsénio já leva como presidente, afirmando-se, agora, apostado em romper com o passado.

“Os búzios e as cartas não estão a meu favor, [mas] as tradições existem para ser quebradas, por isso, vamos lá”, afirmou o candidato do PS, 49 anos, à agência Lusa.

Neste concelho com 1.146 quilómetros quadrados, segundo dados de 2020 da plataforma estatística Pordata, um projeto da Fundação Manuel dos Santos, a luta autárquica tem sido feita ‘taco a taco’ com o candidato da CDU, que este ano é Vítor Picado.

Atual vereador sem pelouro, neste mandato de maioria socialista, e antigo vice-presidente, na anterior gestão CDU (2013 a 2017), o cabeça de lista da coligação PCP/PEV já assumiu à Lusa, em abril, aquando do anúncio da sua candidatura, que o objetivo é a reconquista da maioria no município:

“Queremos construir a alternativa política de que Beja precisa [e], naturalmente, reconquistar a câmara municipal”, disse Vítor Picado, de 44 anos.

Em Beja, concelho que em 2019 tinha 33.565 pessoas como população residente, das quais 22,5% tinham 65 e mais anos (ligeiramente superior à media nacional, de 22%), ainda de acordo com a Pordata, o baralho da corrida eleitoral integra apenas mais uma carta até este início de junho.

O professor Nuno Palma Ferro, de 50 anos, com apenas um ano de filiação no PSD, foi o escolhido para liderar a candidatura à câmara através de uma coligação abrangente, formada entre o partido em que milita e CDS-PP, Partido Popular Monárquico, Iniciativa Liberal e Aliança.

A candidatura “Beja Consegue!” está apostada em “inverter o rumo” do concelho, que tem estado “sempre a descer, à espera e de mão estendida”, afirmou à Lusa, em março, Nuno Palma Ferro. Mas o candidato também terá de tentar vencer o seu próprio ‘enguiço’: é que o PSD perdeu, em 2009, o único vereador que elegia nesta câmara e até agora não o recuperou.

Segundo a plataforma estatística Eyedata, uma parceria entre a Lusa e a Social Data Lab, este concelho alentejano estava, em 2018, abaixo da média nacional (1.168,44 euros) quanto ao ganho médio mensal dos trabalhadores por contra de outrem, com 1.059,60 euros, mas, por outro lado, estava mais bem classificado ao nível do número de médicos por mil habitantes, em 2019: 5,87 em Beja, contra o valor do país de 5,39.

O atual executivo de Beja, liderado pelo socialista Paulo Arsénio, que cumpre o primeiro mandato, é constituído por quatro eleitos do PS e três da CDU.

As eleições autárquicas deste ano ainda não têm data marcada, mas, por lei, realizam-se em setembro ou outubro.

Por: Rita Ranhola