O cabeça de lista do Bloco de Esquerda (BE) à Câmara de Évora, Pedro Ferreira, considerou que a CDU e o PS geriram o município “a navegar à vista” e sem “visão estratégica”, nas últimas décadas.
À margem de uma ação de campanha do BE no mercado de hortícolas, frutas, queijos, peixe e outros produtos realizado no Bairro do Bacelo, o candidato evocou à agência Lusa que, ao fim de “12 anos de PS” e de “12 anos de CDU (PCP/PEV)”, Évora não beneficiou desta alternância governativa local.
“Temos falta de uma visão estratégica e um apontamento para o futuro. É como uma espécie de navegar à vista, com um sistema de resolução de problemas momentâneos, e nunca olhamos para o futuro”, argumentou Pedro Ferreira.
O que existe “é uma gestão corrente” e nem o facto de Évora ir ser Capital Europeia da Cultura em 2027 alterou esse cenário, frisou: “Poderia ter sido um objetivo, porque está a ser delineado já há alguns anos e podíamos estar a caminhar para Évora 2027, mas não estamos”.
O que o BE propõe, nestas eleições autárquicas que vão decorrer no próximo dia 12, “é uma reorganização dos serviços”, em diálogo com as entidades locais e os cidadãos, para, em conjunto, perceber “onde é que Évora tem de chegar”.
“E traçar um percurso da gestão autárquica, por exemplo, a três mandatos. Mesmo que nós não ganhássemos os três mandatos, mas termos um percurso e sabermos que Évora tem que caminhar neste sentido. E só assim conseguiríamos gerir uma câmara com futuro e não com eternos paliativos”, vincou.
Para Pedro Ferreira, que distribuiu, juntamente com a restante comitiva, panfletos da sua candidatura por clientes do mercado, aceites por uns e rejeitados por outros, a limpeza urbana e a separação dos resíduos são outras questões importantes.
“Conseguimos ver uma desregulação na recolha dos monos, conseguimos ver a acumulação do lixo, mas não por parte dos serviços da Câmara” por não conseguirem responder às solicitações e sim porque “não há organização dos sistemas” e “não há um circuito definido” para a recolha, argumentou.
O BE defende que, em vez da recolha atual, deveria ser implementada “uma recolha porta a porta, para ser um pouco mais eficiente”, sugeriu o candidato, realçando também para as baixas metas da reciclagem e a respetiva consequência: “O concelho de Évora recicla 11% do material, quando a nossa meta para 2030 são 63%”.
“Será inevitável que, nos próximos mandatos, a taxa de resíduos suba pela baixa percentagem que nós temos de material reciclado. E também pela dívida descomunal, que é cerca de um milhão de euros, que temos para a GESAMB”, empresa que gere o sistema intermunicipal de resíduos urbanos do distrito, avisou.
Concorrem também à Câmara de Évora João Oliveira (CDU), Carlos Zorrinho (PS), Henrique Sim-Sim (PSD/CDS-PP/PPM), Florbela Fernandes (Movimento Cuidar de Évora), Ruben Miguéis (Chega) e Fábio Cabaço (Iniciativa Liberal).
O atual executivo municipal, liderado por Carlos Pinto de Sá (CDU), é composto por dois eleitos da CDU, dois do PS, dois do PSD e um do MCE, mas a mesa da assembleia municipal está nas ‘mãos’ dos socialistas.



















