Autárquicas: Autarca de Vendas Novas (PS) acredita em “bom senso” da oposição

Luis Dias

O presidente eleito da Câmara de Vendas Novas (PS) disse hoje acreditar no “bom senso da oposição” para estabelecer “entendimentos” que permitam governar o município, apesar de não ter conseguido um acordo com PSD e CDU.

“Espero que o mais importante para a oposição seja aquilo que é o mais importante para o PS, que é servir Vendas Novas”, disse à agência Lusa o autarca socialista Luís Dias, reeleito presidente do município, nas autárquicas de 26 de setembro.

Segundo o autarca, que nestas eleições perdeu a maioria absoluta com que governou nos dois mandatos anteriores, “se o interesse comum” do concelho “estiver acima do cálculo partidário ou da sede de poder”, então não deverão surgir “problemas”.

“Acredito que vai haver a capacidade para governar e bom senso por parte da nossa oposição para conseguirmos chegar a entendimentos”, frisou, antes da tomada de posse dos órgãos municipais, que teve lugar esta noite.

O PS foi o partido mais votado em Vendas Novas nas autárquicas, com 41,53% dos votos e dois eleitos, o mesmo número da coligação PSD/CDS-PP, que teve 34,65% dos votos, segundo os resultados preliminares da secretaria-geral do Ministério da Administração Interna (MAI).

O executivo camarário fica completo com um mandato ganho pela CDU, que obteve 18,46% dos votos, enquanto o partido Chega, com 3,12%, não conseguiu qualquer eleito.

Luís Dias argumentou hoje que, desde a eleição, apresentou propostas ao PSD e CDU, quer para “uma coligação estável”, quer para “acordos a quatro anos”, mas “foram rejeitadas”.

Por isso, toma posse “com a necessidade de negociar peça a peça”, o que antevê que será “prejudicial para a governação e implementação de uma estratégia de médio e longo prazo”.

Igualmente contactado pela Lusa, o eleito da CDU para a câmara, Tiago Aldeias, confirmou os contactos mantidos com o PS e justificou que a falta de acordo se deveu ao facto de a proposta socialista ter sido “muito exigente”.

“Comprometia-nos a aprovar um conjunto de coisas que o PS entendia, nomeadamente os orçamentos, mas não nos permitia pôr em prática algumas questões que para nós são essenciais”, disse.

Entre as “questões estratégicas” sobre as quais CDU e PS têm “divergências de fundo” está “o Plano Diretor Municipal (PDM)”, que esteve em revisão e ainda não foi aprovado, apontou.

Neste mandato, a CDU vai estar “disponível para analisar” as diversas matérias que forem apresentadas pelo executivo e também vai “fazer propostas”. A “esperança” é a de que os outros partidos as aprovem, frisou Tiago Aldeias, prometendo votar a favor das dos socialistas “se o PS estiver disponível para ir ao encontro” das posições do seu partido.

A Lusa tentou ouvir a posição de Ricardo Videira, que foi o cabeça de lista do PSD/CDS-PP à câmara na corrida eleitoral, mas não foi possível contactá-lo.

As prioridades para este mandato vão ser a aplicação de um programa de atração de novas famílias, a expansão do parque industrial, que “tem neste momento uma ocupação quase plena”, a fixação de uma plataforma logística no âmbito da nova ferrovia Sines-Caia e “um grande projeto de requalificação do centro tradicional de Vendas Novas, na ordem dos 4,5 milhões de euros”, revelou Luís Dias”.