O cabeça de lista da coligação PSD/CDS-PP/PPM à Câmara de Évora, Henrique Sim-Sim, acusou hoje a CDU de deixar a autarquia “completamente endividada” e prometeu pedir uma auditoria externa para apurar a dimensão da dívida.
Henrique Sim-Sim indicou à agência Lusa que o mais recente relatório semestral da situação financeira do município “aponta para uma dívida de curto prazo de 20 milhões de euros”, mas admitiu o surgimento de mais dívida.
“A câmara está completamente endividada e vamos ter algumas surpresas”, afirmou, revelando ter sido surpreendido, numa reunião com uma empresa que presta serviço à câmara, com “mais de meio milhão de euros de dívida que não estava sinalizada”.
Segundo o candidato da coligação “Évora tem mais futuro”, o município deve 1,5 milhões de euros à Comunidade Intermunicipal do Alentejo Central (CIMAC) e o mesmo valor à GESAMB, empresa intermunicipal responsável pelo tratamento de lixo.
O município, sublinhou Henrique Sim-Sim, também tem dívidas de 1 milhão de euros à empresa Trevo, do Grupo Barraqueiro, que assegura o transporte público de passageiros na cidade e 8 a 9 milhões à Águas do Vale do Tejo.
“Tenho um sentimento de preocupação com algumas informações que tenho recebido no que diz respeito ao estado da saúde financeira do município”, reconheceu, avisando que estas alegadas dívidas da câmara “são montantes muito expressivos”.
O candidato acusou a CDU de deixar “uma câmara completamente endividada” e alertou também para a “total inoperacionalidade da prestação de serviços, com desorganização e falta de motivação dos funcionários, e esforço muito grande na despesa com o pessoal”.
“Tínhamos dito que era necessário olhar para a dívida e transformar a dívida de curto prazo em médio e longo prazo e é nisso que continuamos a acreditar”, disse, apontando que é preciso renegociar com a banca e consolidar dívida.
Sim-Sim também assumiu a intenção de “trabalhar tudo aquilo que é a despesa corrente do município”, com uma visão “muito criteriosa e exigente”, assim como procurar aumentar as receitas da autarquia.
Considerando que “os eborenses têm que saber exatamente o estado em que a CDU deixa a câmara”, o candidato defendeu a realização de uma auditoria externa às contas municipais.
Falando à Lusa no final de um pequeno-almoço campestre numa herdade situada perto da aldeia de São Sebastião da Giesteira, Henrique Sim-Sim disse querer valorizar “a atividade agrícola e agroindustrial do concelho”.
“É muito importante para os territórios rurais, e o nosso concelho não é só a cidade, valorizar, apoiar, defender também este conjunto de empresas e empresários”, acrescentou o candidato à Câmara de Évora nas autárquicas de domingo.
Além de Henrique Sim-Sim, concorrem à Câmara de Évora João Oliveira, pela CDU (coligação PCP/PEV), Carlos Zorrinho, pelo PS, Florbela Fernandes, do Movimento Cuidar de Évora (MCE), Pedro Ferreira, do Bloco de Esquerda, Ruben Miguéis, pelo Chega, e Fábio Cabaço, pela Iniciativa Liberal (IL).
O atual executivo municipal, liderado por Carlos Pinto de Sá (CDU), a cumprir o seu terceiro e último mandato, é composto por dois eleitos da CDU, dois do PS, dois do PSD e um do MCE, mas a mesa da assembleia municipal está nas mãos dos socialistas.



















