O presidente eleito da Câmara de Évora, Carlos Zorrinho (PS), prometeu no domingo à noite continuar o trabalho por uma “maioria estável”, reconhecendo a necessidade de consensos que permitam “cumprir um programa ambicioso” para o concelho.
“Pedimos aos eborenses uma maioria estável. Sabemos ler os resultados e os eborenses pediram-nos que continuássemos a trabalhar por uma maioria estável”, afirmou Carlos Zorrinho, no discurso de vitória na sede dos socialistas.
O presidente eleito indicou que pretende fazer “uma grande coligação com todos os cidadãos deste concelho e com aqueles que os representam”, com vista a que se construa “a maioria estável que permitirá cumprir um programa ambicioso” para o concelho.
“Hoje virámos uma página. Essa página foi escrita ouvindo muita gente ao longo de 10 meses. Vamos continuar a escrevê-la e a reescrevê-la, continuando a ouvir muita gente nos próximos quatro anos e nos anos que se vão seguir a esses quatro”, realçou.
Questionado pelos jornalistas sobre eventuais negociações, Zorrinho esclareceu que tem a intenção de falar com todos os adversários na corrida à Câmara de Évora, que felicitou por entender que a campanha decorreu “com muita elevação”.
“Com alguns partidos poderei falar de tudo, com outros falarei de algumas coisas, mas há matérias que interessam a todos os eborenses e, dessas matérias, falarei com todos”, sublinhou.
O presidente eleito foi desafiado a dizer o que esperava da coligação PSD/CDS-PP/PPM, tendo sido perentório: “Espero que, naturalmente, tenha uma atitude construtiva, como eu teria se tivesse ficado no lugar em que ele ficou”, afirmou.
Sobre ‘linhas vermelhas’ que terá no diálogo com os opositores políticos na câmara, o socialista admitiu tê-las em relação a alguns partidos, concretamente em relação a “valores e princípios fundamentais”.
“Mas naquilo que é o dia-a-dia da vida do concelho, há muitas coisas que não têm que ter ‘linhas vermelhas’ e há outras que têm que ter”, salientou.
Zorrinho revelou ainda que a sua primeira medida vai ser uma reunião com os funcionários do município, a que chamou da sua equipa.
Já o cabeça de lista da CDU, João Oliveira, reconheceu, em declarações aos jornalistas, que este resultado “fica muito aquém das expectativas” e manifestou a intenção de assumir o cargo de vereador, acumulando com o de eurodeputado.
“Os resultados eleitorais não deixam Évora e os eborenses ter uma melhor gestão autárquica”, considerou, referindo que a nova composição “determina que, nos próximos quatro anos, a gestão será mais distante daquilo que os eborenses e o concelho de Évora necessitavam”.
João Oliveira disse que a representação dada pelos eleitores na câmara, assembleia municipal e freguesias será utilizada para “dar cumprimento ao compromisso” da CDU para que “as populações tenham uma perspetiva de futuro”.
“A CDU nunca fará a política de boicote e de terra queimada que fez a oposição no último mandato”, referiu, quando questionado sobre se aceitava fazer entendimentos com o PS.
Por sua vez, o candidato da coligação PSD/CDS-PP/PPM, Henrique Sim-Sim lamentou os jornalistas que a vitória lhe tenha fugido “por 156 votos”, destacando a conquista da maior freguesia e mais eleitos na assembleia municipal.
Quanto ao futuro, Henrique Sim-Sim disse que “ainda é cedo” para se falar em entendimentos, por considerar que é preciso “analisar, discutir e refletir” sobre os resultados das eleições.
O socialista Carlos Zorrinho venceu a presidência da Câmara de Évora nas eleições autárquicas deste domingo, afastando a CDU da gestão camarária, segundo os dados do Ministério da Administração Interna.
O PS venceu com 29,83% dos votos (três eleitos), seguindo-se a coligação PSD/CDS-PP/PPM, com 29,26% (dois eleitos), a CDU (PCP-PEV), que obteve 15,82% dos votos (um eleito) e o Chega, com 13,94% (um eleito).
Nas eleições de hoje, estavam inscritos 46.090 eleitores neste concelho, tendo votado 59,41% (abstenção foi 40,59%). Os votos brancos foram 1,36% enquanto os nulos foram 0,84%, de acordo com os resultados provisórios do MAI.



















