A candidata do Bloco de Esquerda à Câmara de Beja, Madalena Figueira, criticou hoje o “trabalho escravo” de mão de obra migrante, consequência da “aposta no agronegócio” das monoculturas intensivas de olival e amendoal no concelho.
Em declarações à agência Lusa numa visita a uma habitação de trabalhadores migrantes em Vila Azedo, Madalena Figueira alertou para as consequências diretas que a “aposta no agronegócio assente em monoculturas” intensivas tem no “trabalho escravo”.
“Tanto no centro da cidade de Beja como nas várias freguesias rurais, como a Vila Azedo, temos casos de vários relatos de trabalhadores agrícolas imigrantes que nos contam de retenção dos próprios documentos, pagamentos em atraso [ou] falta de pagamento à Segurança Social”, exemplificou.
Segundo Madalena Figueira, estas situações estão “a acontecer um bocadinho debaixo do nosso nariz” e, por isso, o Bloco de Esquerda (BE) “é uma moratória, ou seja, um travão” para este cenário.
Neste âmbito, a cabeça de lista defende no seu programa eleitoral a revisão do Plano Diretor Municipal, a fiscalização articulada com a Autoridade para a Condições do Trabalho (ACT) e o fim das atividades de subcontratação de mão de obra na agricultura.
Paralelamente, propõe a constituição de um Gabinete de Apoio Ao Imigrante que, para além de informar os trabalhadores sobre os seus direitos laborais, deve “denunciar, junto das autoridades competentes, casos de abuso laboral, fiscalizar arrendamentos de casas superlotadas [e] fornecer tradução dos documentos que se entendam que sejam mais urgentes”.
A implementação de mediadores interculturais e linguísticos em determinados serviços, como nas escolas e centros de saúde, e a criação de um Fundo Municipal de Emergência Social para “apoiar famílias com cortes de água, luz ou rendas em atraso” são outras das medidas que constam no seu programa.
“Se lermos o Relatório Anual de Segurança Interna, um dos pontos desfavoráveis para o distrito de Beja é o tráfico humano. Portanto, nós sublinhamos muito esta questão para frisar que os imigrantes, muitas vezes, são as vítimas [e] não os agressores”, referiu.
Quanto a um bom resultado eleitoral, a candidata admitiu que será eleger na câmara municipal, na assembleia municipal e nas duas freguesias em que o BE tem listas a concorrer (União de Freguesias de Santiago Maior e São João Baptista e União de Freguesias de Salvador e Santa Maria da Feira).
“Queremos ter representação e [o número de eleitos] deixamos a quem vota”, disse.
Além de Madalena Figueira, concorrem à Câmara de Beja o atual presidente Paulo Arsénio, pelo PS, Vítor Picado, pela CDU (coligação PCP/PEV), Nuno Palma Ferro, pela coligação Beja Consegue, que junta PSD, CDS-PP e Iniciativa Liberal (IL), e David Catita, pelo Chega.
O atual executivo municipal é composto por três eleitos PS, três eleitos CDU e um eleito pela coligação Beja Consegue. Na assembleia municipal, o PS é o partido com mais eleitos, mas não tem maioria absoluta.
As eleições autárquicas realizam-se no domingo.



















