Autárquicas 2021/Portalegre: Candidato do Chega quer ‘galopar’ para a câmara para mostrar que há futuro

Luis Lupi

Os cavalos são a sua paixão, mas o candidato do Chega à Câmara de Portalegre, liderada por independentes, quer agora ‘galopar’ com destreza para o executivo municipal e mostrar que a cidade tem futuro.

Luís Lupi, de 64 anos, veterinário aposentado, mas homem dedicado à vida agrícola, diz à agência Lusa que abraçou este desafio por entender que Portalegre “não está condenada” e “tem potencial”, tal como o país. No entanto, lamenta que tudo esteja “tão desperdiçado, tão distorcido”.

Casado com uma empresária agrícola e pai de três filhos, justifica também o desafio autárquico com o projeto que está a ser desenhado a nível local e nacional no partido, que tem “importância” e requer “disponibilidade”.

Professor de equitação e apreciador de fado, Luís Lupi, natural de Alcochete (Setúbal), mas a residir em Portalegre há mais de 30 anos, conta que gosta de ocupar os tempos livres a conviver com os amigos e conhecidos de “todos os meios sociais” da região.

“Gosto de sair à rua, de conviver com as pessoas, independentemente de haver laços de amizade. Gosto de provar os vinhos da terra, de os comparar. Não gosto falar de política, não percebo nada de futebol, mas gosto muito de confraternizar e acho que isso me enriquece”, afirma.

Assumindo-se como homem “de direita”, Luís Lupi enfatiza que é “assumidamente” um conservador dos costumes, das tradições e dos valores, quadro que encontra na matriz do Chega.

Em termos económicos, partilhamos a filosofia liberalista da economia e não uma filosofia da economia controlada pelo Estado, que é castradora dos projetos privados, da iniciativa de cada um”, argumenta.

Rejeitando que o Chega seja um partido extremista, Luís Lupi, candidato pelo CDS-PP nas anteriores autárquicas à junta de uma freguesia rural de Portalegre, admite que se revê “quase completamente” na filosofia do partido de André Ventura.

Nas eleições deste ano, o candidato espera conquistar um lugar no executivo municipal, agora liderado por Adelaide Teixeira, a cumprir o segundo mandato eleita pela Candidatura Livre e Independente por Portalegre (CLIP).

Mas os objetivos eleitorais são mais vastos: quer ainda eleger “um ou dois” elementos para a assembleia municipal.

Isso seria bom, qualquer coisa que seja mais do que isso será extraordinário”, projeta.

Afirmando-se preocupado com os incêndios naquela região, o cabeça de lista considera que a serra de São Mamede, situada em parte no concelho de Portalegre, tem um “potencial enorme” a desenvolver, embora até tenha sido “muito bem” gerida nos últimos anos.

Apesar disso, defende, há decisões políticas a tomar no que diz respeito à serra, para tornar a zona “mais atrativa, mais conhecida e mais digna”.

Filho do antigo cavaleiro tauromáquico José Samuel Lupi, o candidato do Chega é um apaixonado pelo mundo equestre. Foi veterinário e orientador do desbaste dos cavalos da Coudelaria de Alter do Chão durante 20 anos e fez a “ligação” desta com a Escola Portuguesa de Arte Equestre.

Como cavaleiro, “talvez seja o único”, afirma, que tenha praticado, no estrangeiro, cinco modalidades diferentes da Federação Equestre Internacional.

Em altos níveis de competição, foi cavaleiro de obstáculos, fazendo parte da equipa nacional e tendo sido campeão nacional em 1979 e finalista em 1980. Em juniores, disputou um outro campeonato da Europa de equitação.

Esteve igualmente envolvido na modalidade de ensino e assim fechou as suas ambições de cavaleiro de nível máximo nas três modalidades olímpicas.

Luís Lupi foi ainda cavaleiro, veterinário, selecionador e chefe de equipa em campeonatos do mundo de “raid” hípico e praticou a modalidade de atrelagem.

O executivo da capital de distrito é formado por três eleitos do movimento CLIP, dois do PS, um do PSD e outro da CDU.

A corrida eleitoral deste ano tem mais três candidatos anunciados: Fermelinda Carvalho (PSD/CDS-PP), Luís Moreira Testa (PS) e Hugo Capote (CDU).

As eleições autárquicas ainda não têm data marcada, mas, segundo a lei, ocorrem entre setembro e outubro.

Por: Hugo Teixeira