Autárquicas 2021/Portalegre: Candidato da CDU vê concelho transformado num “jardim sem flores”

A jardinagem é uma das últimas paixões do candidato da CDU à Câmara de Portalegre, Hugo Capote, que considera que o concelho, liderado por independentes, está transformado num “jardim sem flores” porque o ambiente democrático se “deteriorou”.

O médico, de 46 anos, justifica a sua candidatura como um “imperativo cívico”, numa altura em que, argumenta, o município liderado por Adelaide Teixeira, eleita pela Candidatura Livre e Independente por Portalegre (CLIP) e a cumprir o segundo mandato, “não escuta” a oposição.

“Nós vivemos numa cidade em que o ambiente democrático, de participação cívica, se deteriorou muito nos últimos anos. Ao longo dos 10 anos [da governação de Adelaide Teixeira], essa situação tem vindo a agravar-se e chegou a um ponto em que é preciso dizer basta”, alega, em declarações à agência Lusa, o cabeça de lista.

Esta situação “já passou para a sociedade civil”, que “está inquinada deste mal, está desmoralizada, não tem vontade de participar”, continua, frisando: “E por isso digo que Portalegre é um jardim sem flores”.

Apaixonado confesso pela jardinagem e também pelas viagens em tempo de férias, e com um gosto musical que descreve como “eclético”, Hugo Capote, natural de Portalegre, casado e pai de duas filhas, é especialista em Cirurgia Geral, desde 2009, e assistente graduado de Cirurgia Geral, desde 2018.

Caso vença as eleições autárquicas deste ano, uma das primeiras “cirurgias” que quer efetuar no concelho passa pela higienização dos espaços públicos para que a região fique “aprazível” para quem vive e visita o território.

“Eu acho que é possível fazer muito melhor no que diz respeito, por exemplo, aos espaços públicos, aos jardins, às praças, às ruas”, sublinha.

O médico, que é diretor do Serviço de Urgência do hospital de Portalegre e atual presidente da sub-região de Portalegre da Ordem dos Médicos, defende ainda que é preciso dar um outro impulso nas áreas da animação cultural e dos espaços desportivos, lamentando que Portalegre não possua, por exemplo, uma ciclovia.

“Não temos uma ciclovia […]. Chegamos ao século XXI e não temos um circuito de manutenção, quando todo o mundo fala em medidas de sustentabilidade económica e energética”, exemplifica.

Hugo Capote, que, em 1999, foi eleito presidente da Associação Académica de Coimbra, tendo exercido o mandato durante um ano, considera que Portalegre precisa de projetos que mobilizem a sociedade civil e que sejam estratégicos para o concelho.

“Portalegre é uma cidade que precisa de transformar muito pouca coisa para se tornar mais aprazível. Temos uma cidade que tem uma excelente implementação geográfica, com uma planície para um lado e uma serra [a de São Mamede] para o outro, mas, claramente, ainda não conseguimos aproveitar a serra”, considera.

Membro da Comissão Concelhia de Portalegre do PCP e da Direção da Organização Regional de Portalegre (DORPOR) do partido, o candidato olha também para o tecido económico e defende o apoio do Governo à implementação de vias rodoviárias e ferroviárias, assim como outros investimentos na região.

“Quem souber mostrar melhor esta necessidade ao Governo, quem souber trabalhar com eles, com certeza que conseguirá melhor do que aquilo que temos hoje, que é muito pouco”, diz.

Hugo Capote já foi vereador da Câmara de Portalegre (entre 2009 e 2013) e foi depois eleito deputado na assembleia municipal, para dois mandatos consecutivos, exercendo esta função desde 2013.

Agora, concorre à presidência do município, que atualmente tem um executivo formado por três eleitos da CLIP, dois do PS, um do PSD e outro da CDU.

Apreciador de râguebi, benfiquista assumido e admirador da Académica de Coimbra, Hugo Capote mostra-se, contudo, desiludido com o futebol, tal como com a governação da CLIP nos últimos anos.

Além do candidato da CDU, a corrida eleitoral à Câmara de Portalegre tem mais três candidatos anunciados: Fermelinda Carvalho (PSD/CDS-PP), Luís Moreira Testa (PS) e Luís Lupi (Chega).

As eleições autárquicas ainda não têm data marcada, mas, segundo a lei, ocorrem entre setembro e outubro.

Por: Hugo teixeira

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