O presidente da Câmara Municipal de Viana do Alentejo, Luís Metrogos, anunciou que irá reunir com a Ministra da Saúde no próximo dia 14 de janeiro para abordar a situação da saúde no concelho, marcada pela falta de médicos e por rácios elevados de utentes por profissional.
Durante a reunião de câmara, o autarca afirmou que «existe uma preocupação muito grande da parte do executivo em regime de permanência em relação à saúde no nosso concelho», sublinhando que esta é uma realidade conhecida, mas que se tem agravado.
Segundo Luís Metrogos, o concelho enfrenta atualmente a ausência de um médico, situação que se soma a uma pressão já elevada sobre os profissionais existentes. «Mesmo antes desta falha, os rácios já eram muito grandes para aquilo que é a resposta necessária», explicou, acrescentando que «há médicos que chegam a ter cerca de 1.200 utentes».
Para o presidente da autarquia, esta realidade torna difícil garantir um acompanhamento adequado. «Em termos humanos, é muito difícil um médico conseguir dar resposta a todas estas necessidades», afirmou.
Contactos com a ULS e Ministério da Saúde
Luís Metrogos revelou que, logo após a entrada em funções, o executivo municipal iniciou contactos com as entidades responsáveis. «Enviámos um email à Unidade Local de Saúde do Alentejo Central a pedir uma reunião e um ponto de situação sobre a substituição do médico em falta», referiu, acrescentando que «não obtivemos qualquer resposta».
Perante essa ausência de resposta, o município decidiu contactar diretamente o Ministério da Saúde. «Enviámos um email para o Ministério e para a Ministra da Saúde a solicitar uma reunião e a pedir clarificações sobre o que se perspetiva fazer no futuro», explicou.
De acordo com o presidente da câmara, esse contacto resultou no agendamento da reunião. «Obtivemos resposta com o agendamento de uma reunião para o dia 14 de janeiro, onde iremos reunir com a Ministra», confirmou.
Entretanto, está também prevista uma reunião com a coordenadora do Centro de Saúde de Viana do Alentejo. «Recebemos resposta da coordenadora e iremos reunir, em princípio, no dia 6 de janeiro, para recolher contributos que possamos levar ao Ministério», indicou.
Esclarecimento sobre competências do município
O autarca aproveitou ainda para esclarecer a população sobre as competências municipais na área da saúde, no âmbito da delegação de competências. «Após a delegação, o município ficou responsável pelos edifícios e pelo pessoal não médico», explicou.
Luís Metrogos foi claro ao afirmar que «o município não tem competências para contratar médicos e resolver a situação de um dia para o outro», sublinhando que «isso seria desvirtuar aquilo que é o Serviço Nacional de Saúde».
Ainda assim, garantiu que a autarquia está a cumprir o seu papel. «Temos a responsabilidade de fazer chegar às instâncias competentes aquilo que são as preocupações do nosso concelho, e é isso que estamos a fazer», afirmou.
Diferenças face a outros concelhos
Sobre as comparações frequentes com outros concelhos, o presidente da câmara explicou que «Portel e Viana têm unidades de saúde diferentes». Enquanto Portel dispõe de uma Unidade de Saúde Familiar modelo B, Viana do Alentejo funciona com uma Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados.
«A USF modelo B trabalha por objetivos e implica maior compromisso dos profissionais, com horários mais exigentes», referiu, explicando que esse modelo «depende muito da vontade e do compromisso dos médicos» e não de uma decisão municipal.
Luís Metrogos concluiu afirmando que toda esta informação será levada à reunião com a Ministra da Saúde. «Vamos tentar fazer chegar ao Ministério a real dimensão do problema, para que a situação de Viana do Alentejo seja encarada com a preocupação que merece», afirmou.



















