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Autarca de Vila Viçosa pede reforço de meios e financiamento para os bombeiros

Inácio Esperança alertou em Vila Viçosa para a falta de financiamento e meios dos bombeiros fora dos fogos rurais.

O presidente da Câmara Municipal de Vila Viçosa e vice-presidente da Comunidade Intermunicipal do Alentejo Central (CIMAC), Inácio Esperança, alertou este sábado para a falta de financiamento das corporações de bombeiros em áreas que vão além do combate aos incêndios rurais, defendendo uma revisão do atual modelo de apoio às associações humanitárias.

As declarações foram feitas ao Jornal ODigital.pt durante a VII edição da Bênção dos Capacetes dos Bombeiros do Distrito de Évora, realizada em Vila Viçosa.

Segundo Inácio Esperança, os bombeiros asseguram atualmente um conjunto muito vasto de missões de proteção e socorro que não estão abrangidas pelos mecanismos de financiamento existentes.

«Os bombeiros têm 90% da atividade que não está a coberto de nenhum financiamento», afirmou, defendendo que os apoios continuam excessivamente centrados nos incêndios rurais.

O autarca explicou que, desde a transferência de competências ocorrida em 2019, as associações humanitárias passaram a depender em maior escala dos municípios, sem que o correspondente envelope financeiro acompanhasse essa mudança.

«As associações de bombeiros estão órfãs», referiu.

Necessidade de reforçar meios e preparação técnica

Inácio Esperança alertou também para a necessidade de preparar as corporações para novos cenários de risco associados à evolução do território e das infraestruturas existentes no Alentejo.

O responsável considerou que os corpos de bombeiros necessitam de mais equipamentos especializados, formação e capacitação técnica para responder a situações complexas, como acidentes ferroviários, colapso de estruturas ou cenários relacionados com a Barragem do Alqueva.

«Os territórios cada vez têm mais complexidade», afirmou, defendendo que é necessário adaptar os meios disponíveis às novas exigências operacionais.

Questionado sobre a capacidade de resposta atual, o autarca admitiu que as corporações dispõem de meios mínimos, mas considerou insuficiente a preparação existente para alguns cenários de grande dimensão.

«Precisamos de mais capacitação técnica, mais formação e mais equipamentos para poderem responder», disse.

Autarquias e bombeiros “num baile a três”

Durante as declarações ao Jornal ODigital.pt, Inácio Esperança voltou ainda a defender o modelo de cooperação entre municípios, associações humanitárias e corpos de bombeiros, considerando essa articulação essencial para o funcionamento da proteção civil.

«Não há sucesso na proteção civil em Portugal sem os municípios, sem os bombeiros e sem as associações de bombeiros», afirmou.

O presidente da Câmara de Vila Viçosa destacou igualmente o papel dos bombeiros nos territórios de baixa densidade, sublinhando que, em muitos casos, são estas corporações que asseguram respostas essenciais na saúde, socorro e proteção das populações.

Projeto da CIMAC prevê aquisição de viaturas

O vice-presidente da CIMAC revelou ainda que a comunidade intermunicipal reservou parte dos fundos comunitários para aquisição de viaturas destinadas às corporações e serviços de proteção civil do Alentejo Central.

Segundo explicou, o projeto prevê a compra de uma viatura para cada município, embora admita que o financiamento disponível continua insuficiente face às necessidades existentes.

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