O presidente da Câmara de Vendas Novas (Évora), Luís Dias, eleito pelo PS, acusou hoje a oposição PSD e CDU no município de “enorme irresponsabilidade” por ter chumbado a proposta de orçamento municipal para 2023.
“É de uma enorme irresponsabilidade o chumbo do orçamento que enquadra um ano que já se prevê particularmente difícil, com a subida da inflação, das matérias-primas e do custo de vida, que afeta as famílias e também a câmara municipal”, afirmou.
Segundo o autarca, a proposta de orçamento agora rejeitada incluía “um conjunto de medidas que vinha dos partidos da oposição”, nomeadamente “16 das 19” medidas apresentadas pelo PSD e “36 das 42” propostas feitas da CDU.
“Era um orçamento amplamente integrador das visões partidárias e que, além disso, previa um aumento de 30% do desempenho das funções sociais do município para ajudar as famílias num momento que particularmente difícil”, disse.
A proposta de orçamento da Câmara de Vendas Novas para 2023, com um valor de 16,1 milhões de euros, foi chumbada, na quarta-feira, em reunião do executivo, com os votos contra dos dois vereadores do PSD e de um da CDU.
Nas declarações à agência Lusa, o presidente do município alertou que a rejeição do orçamento “vai pôr em causa um conjunto de investimentos importantes para o concelho”, incluindo projetos com apoio de fundos comunitários.
Esses investimentos “não poderão ser executados e os apoios sociais para os mais carenciados também não vão ter aumentos”, pois, com o chumbo do orçamento para o próximo ano, vai estar em vigor o deste ano, salientou.
Assinalando “o cunho muito grande de responsabilidade governativa” da gestão PS, Luís Dias revelou que já pediu reuniões aos partidos da oposição para “tentar desbloquear a situação”.
“A margem negocial é muito curta, mas não vamos desistir, como é obvio”, sublinhou.
Contactado pela Lusa, o vereador do PSD Ricardo Videira explicou que o voto contra dos sociais-democratas se deveu à “falta de rasgo” de uma proposta de orçamento que “não é capaz de romper com o conformismo” que há na câmara.
A proposta “é uma repetição de fórmulas que têm conduzido à degradação das infraestruturas municipais e à incapacidade de responder a necessidades básicas do município, como, por exemplo, a manutenção do espaço público”, apontou.
Vincando que o PSD está sempre disponível para negociar, o vereador Ricardo Videira considerou que a gestão PS está a fazer “uma dramatização desnecessária” e condenou o que disse ser a “postura de agressividade e de ataque” dos socialistas.
Já o único vereador eleito pela CDU, Tiago Aldeias, justificou à Lusa o voto contra por “não ver incluídas no orçamento” as suas propostas aprovadas, algumas até por unanimidade, nos vários órgãos autárquicos.
“Soma-se a isto o facto de a CDU ter nove anos de oposição ao PS em Vendas Novas e conhecermos o desvirtuar dos orçamentos que são aprovados e a sua não concretização, mesmo quando eles foram feitos pelo PS”, argumentou.
O vereador Tiago Aldeias sublinhou que a CDU está sempre disponível para “trabalhar e fazer propostas”, mas considerou que cabe ao PSD aceitar negociar, pois tem responsabilidades no orçamento deste ano e, no passado, na governação da câmara.
O executivo camarário é composto por dois eleitos do PS, outros dois do PSD e um da CDU.
















