Autarca de Vendas Novas acusa Governo de menosprezar município

Presidente de Vendas Novas

O presidente da Câmara de Vendas Novas, Luís Dias, acusou hoje o Governo de ter “menosprezado” o município, alegando não terem sido dadas informações prévias sobre a instalação de um centro de acolhimento de refugiados na cidade.

“O poder local não pode ser, desta forma, menosprezado, como, neste caso em concreto, sentimos”, afirmou o autarca eleito pelo PS e também presidente da Federação Distrital de Évora do partido, em declarações à agência Lusa.

Luís Dias disse que a câmara “foi surpreendida com o anúncio” feito pelo ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, na quarta-feira, no parlamento, da instalação de um centro de refugiados em Vendas Novas.

“O que consideramos normal e tem vindo a acontecer” com o Governo “é termos informação prévia antes de as decisões serem tomadas”, sublinhou, adiantando que a autarquia “não conhece nada ainda do projeto”.

Para o autarca, deveria ter havido “uma articulação direta” com o município sobre a instalação do centro na cidade alentejana, que “parece ser uma questão do interesse público do concelho de Vendas Novas”.

“Somos nós que temos a noção das condições sociais do território, das carências e necessidades existentes e da melhor forma também de implementar um projeto que não qualificamos como negativo”, notou.

Segundo o presidente da câmara municipal, já foi enviado um ofício ao ministro da Administração Interna a solicitar “toda a informação sobre o projeto”, nomeadamente “os contornos, os ‘timings’ e se já está decidido ou não”.

“Estamos no nosso direito, enquanto município, de sermos informados de todos os projetos de investimento no nosso território, nomeadamente numa área que nos aprece bastante sensível e importante”, referiu.

O ministro da Administração Interna anunciou, na quarta-feira, o financiamento de cerca de 1,5 milhão de euros para a instalação de um centro de acolhimento de refugiados que o Serviço Jesuíta aos Refugiados (JSR) vai gerir em Vendas Novas.

“Em relação à vinda de cidadãos requerentes de asilo ou proteção internacional. A nossa estratégia é cooperar fundamentalmente com o CPR [Centro Português para os Refugiados], mas também agora com o Serviço Jesuíta aos Refugiados. O maior investimento em curso financiado pelo MAI, um milhão e meio de euros, é um centro de acolhimento que será desenvolvido pelo JSR em Vendas Novas”, disse então Eduardo Cabrita, no parlamento.

Segundo o ministro, este centro de acolhimento de refugiados vai ser gerido pelo JSR e está atualmente em desenvolvimento, não estando ainda a funcionar, e trata-se do “maior investimento que está autorizado neste momento”.