Associação de Produtores de Leite alerta para a “miséria” do preço do leite á produção

Leite

A Associação dos Produtores de Leite (Aprolep) alertou esta semana para o risco de falências, abandono da produção e revolta dos produtores face à “miséria” do preço do leite à produção, que em março foi o mais baixo da UE.

Em março de 2021 os produtores de leite portugueses receberam, em média, apenas 29,9 cêntimos por kg [quilograma] de leite, o pior preço entre todos os países da União Europeia [UE], segundo os dados do Observatório Europeu do Leite. Cinco cêntimos abaixo da média comunitária! Um preço que estrangula os produtores portugueses e nos deve envergonhar a todos!”, sustenta a Aprolep.

Esta posição consta de uma carta aberta em que a Aprolep apela aos industriais de laticínios, empresas de distribuição, ministra da Agricultura e secretário regional da Agricultura dos Açores para que apoiem o setor.

Recordando que, nos últimos meses, as matérias-primas para o fabrico das rações das vacas “subiram exponencialmente, sem perspetiva de descida a curto prazo”, a associação estima que, “só isso, tenha provocado um aumento no custo de produção entre dois a três cêntimos por litro de leite”.

Isto é muito grave, porque a margem dos produtores era já muito reduzida ou quase nula, tal como a Aprolep alertou ao longo dos últimos anos”, sustenta.

De acordo com a associação, os produtores recebem “o mesmo preço há 20 anos”, tendo de suportar “o aumento do custo da energia, da mão de obra e de todos os fatores de produção”.

Com o preço do leite congelado, estamos a presenciar atrasos de pagamentos, desânimo e revolta entre os nossos associados, cujas consequências não podemos antecipar”, avisa.

Perante a “crise que aumenta no setor leiteiro e o silêncio de governantes, industriais e empresas de distribuição”, a Aprolep questiona, na carta aberta hoje divulgada, se a ministra da Agricultura e o secretário regional da Agricultura dos Açores “estão disponíveis para trabalhar em conjunto com o setor leiteiro para ultrapassar a miséria do atual preço do leite nos Açores e em Portugal continental”.

A associação pergunta ainda às empresas de distribuição se “estão disponíveis para atualizar com urgência o preço do leite e produtos lácteos aos seus fornecedores”, à indústria se está disposta a “repercutir esse aumento às cooperativas e produtores” e às cooperativas, uniões de cooperativas e empresas privadas se admitem “reduzir os seus custos de administração e passar mais valor para o produtor”.

Manifestando o seu “interesse e disponibilidade para reunir com todos os envolvidos no sentido de encontrar soluções urgentes para a atual crise”, a Aprolep alerta para o risco de “aumentarem ainda mais as dívidas, as falências, o abandono da produção e a revolta dos produtores” de leite.