A Assembleia Municipal de Portalegre chumbou, hoje de madrugada, uma moção de censura apresentada pelo movimento Candidatura Livre e Independente por Portalegre (CLIP) contra o executivo camarário PSD/CDS-PP liderado por Fermelinda Carvalho.
O presidente da assembleia municipal, Luís Romão (PSD/CDS-PP), indicou hoje à agência Lusa que a moção, votada numa reunião de quarta-feira que terminou já hoje de madrugada, recebeu 10 votos contra daquela coligação, 13 abstenções do PS, da CDU e dos presidentes de junta eleitos pelo CLIP e cinco votos a favor do movimento independente.
Na moção de censura, consultada pela agência Lusa na página do CLIP na rede social Facebook, o movimento independente considerou que foi “fictícia” a auscultação da oposição em relação ao Orçamento para 2025 e Grandes Opções do Plano.
O CLIP, que liderou o município nos dois mandatos autárquicos anteriores, acusou a coligação PSD/CDS-PP de “apropriação política, intelectual e estratégica” de projetos do movimento.
E criticou também a publicação do último boletim municipal, considerando-o um “boletim de campanha” eleitoral, pode ler-se.
“Temos assistido, durante o atual mandato, a uma mera gestão corrente do município, com distribuição de verbas por rubricas correntes, além da cativação dos percentis minoritários de obras contempladas em projetos cofinanciados na sua quase totalidade vindos do passado”, é referido no documento.
O CLIP acusou ainda o executivo em relação à Estratégia Local de Habitação (ELH), que “foi delineada em 2020 e aprovada em abril de 2021”, com uma dotação de “28,5 milhões de euros”.
Esta ELH não passa de “uma miragem, sem execução”, ao fim de três anos de mandato do PSD/CDS-PP, criticou.
“A Câmara Municipal de Portalegre, ao invés de ser o motor estratégico de organização e dinamização de todo o concelho – é isso a política autárquica – parece estar a transformar-se numa entidade de mera gestão funcional corrente e de gestão de eventos de entretenimento e diversão”, segundo os independentes.
Contactada pela Lusa, a presidente da Câmara de Portalegre acusou os eleitos do CLIP de “mau perder” e argumentou que o movimento “ainda não conseguiu digerir” a derrota nas últimas eleições autárquicas, realizadas em 2021.
Para Fermelinda Carvalho, o movimento está numa fase de “desespero”, a um ano das próximas eleições autárquicas.
“Estiveram aqui no poder [na câmara] durante 10 anos e o CLIP, que criticou algumas forças políticas na altura por fazer uma política da terra queimada, está agora a fazer isso”, vincou.
A autarca disse ainda que a moção de censura “é tão só um rol de mentiras” e destacou que a mesma mereceu mesmo a abstenção por parte dos presidentes de junta de freguesia eleitos pelo CLIP.



















