A Associação de Vinhos e Espirituosas do Alentejo (APROVESA) manifestou, em comunicado, o seu descontentamento face ao apoio exclusivo aos viticultores da Região Demarcada do Douro, sendo que o Alentejo representa cerca de 16 % da produção nacional de vinho.
Na nota, a associação explica que foi atribuído um apoio de 50 cêntimos por quilo de uva para a destilação, vinculada na Resolução do Conselho de Ministros nº 133/2025.
«Aplaudimos» apoio ao Douro, mas as dificuldades são nacionais
José Miguel Almeida, presidente da APROVESA, em declarações a’ODigital.pt, destacou que «aplaudimos este apoio que é dado ao Douro», porém as dificuldades no setor são de «nível nacional e internacional».
O presidente esclarece que, contas feitas, serão cerca de 15 milhões de euros do Orçamento de Estado para a região nortenha, mas «queremos ouvir uma palavra relativamente ao resto do país»
«Será de esperar que surja alguma coisa, pelo menos uma palavra», acrescentou José Miguel Almeida, dizendo ainda que, após duas semanas da Resolução, «continuamos a aguardar uma posição transparente e comunicativa por parte da tutela».
APROVESA pede medidas para promoção e controlo
Apesar de existirem «pedidos de audiência», nomeadamente por parte da Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA), o presidente não exige «exatamente o mesmo que o Douro exige», mas que «haja um envelope financeiro compensatório que permita, por exemplo, fazer mais promoção dos vinhos, fazer mais controlo daquilo que são os vinhos de mesa a circular».
«Estamos a falar de uma atividade económica extremamente importante e transversal ao nosso país», por isso «exige ou deve exigir por parte dos nossos governantes um cuidado transversal», acrescentou, dizendo ainda que «cada região tem a sua especificidade e os seus desafios».
ViniPortugal chamada a encontrar soluções para apoiar o setor
Desta forma, José Miguel Almeida sugere à associação que promove o vinho português, a ViniPortugal, faça «as contas» e veja «de que forma se consegue apoiar o resto do país», uma vez que «tem um orçamento de 8 milhões de euros» para a promoção.
Quebra de consumo e excesso de stocks agravam crise no vinho alentejano
Em relação às dificuldades no setor, o presidente da APROVESA explicou que se tem verificado «uma quebra de consumo» e uma «série de desafios relativamente à valorização daquilo que são as uvas dos viticultores decorrente da dificuldade de valorização dos vinhos».
Para além disso, o Alentejo «tem vindo, nos últimos anos, a conviver com um excesso de stocks», sendo que também «já foi anunciada uma previsão de uma redução muito significativa da produção esperada no final desta campanha».
«Vê-se de forma muito generalizada com as dificuldades de colocação dos seus produtos, quer a nível nacional, quer a nível internacional», atirou ainda.


















