Após um investimento de 2,5 milhões de euros população de águia-imperial-ibérica aumentou

Águia Imperial
Foto: José Pesquero

Depois de um investimento de 2,5 milhões de euros, a população de águia-imperial-ibérica aumentou, uma espécie que desapareceu do país no final do século XX, mas o projeto LIFE Imperial deu-lhe uma nova esperança após o referido investimento.

O projeto LIFE Imperial, coordenado pela Liga para a Proteção da Natureza (LPN), foi apresentado em junho de 2013, quando existiam apenas 11 casais de águia-imperial-ibérica em Portugal. Em 2020 – sete anos depois –, esta espécie criticamente em perigo de extinção no nosso país viu o seu número mais que duplicar, passando a 24 casais, após um investimento de perto de 2,5 milhões de euros. Este valor resulta de uma candidatura liderada pela LPN ao Programa LIFE da União Europeia, que financiou 75% do montante.

Segundo a LPN, o projeto teve um impacto muito significativo na conservação da águia-imperial-ibérica e da Natureza como um todo. As ações permitiram não só aumentar a população da espécie e o conhecimento sobre a sua ecologia, sobretudo no Alentejo e na Beira Baixa, mas também aplicar medidas de gestão do território que aumentaram a sua sustentabilidade e promoveram um maior equilíbrio.

A disponibilização de ninhos artificiais e o estímulo ao aumento das frágeis populações de coelho-bravo, uma das presas principais da águia, foram algumas das medidas implementadas. Mas nem só de ambiente se fez o LIFE Imperial: repercutiu-se igualmente a nível social e económico dos 14 concelhos abrangidos pelo projeto, mais fragilizados do que a generalidade do país. Foi dado suporte direto a 58 postos de trabalho, investidos milhares de euros em serviços prestados por mais de 100 empresas da região e envolvidas centenas de pessoas em ações de sensibilização.

Cerca de 17% do total executado no LIFE Imperial, aproximadamente 400 mil euros, reverteram diretamente para o Estado Português, sob a forma de contribuições sociais e impostos.

A ambição da equipa do projeto traduziu-se ainda em ações inovadoras como a criação das sete primeiras equipas cinotécnicas da GNR para a deteção de venenos, que desencadeou a transferência de informação técnica para análise e interpretação de situações de ilícito por autoridades nacionais como o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) e o Ministério Público. A aplicação de técnicas novas e mais eficazes na minimização da eletrocussão em parceria com a EDP-Distribuição, e o desenvolvimento de um novo tipo de emissor GPS para aplicação em aves de rapina são exemplos de outras medidas aplicadas no decorrer dos 6 anos do LIFE Imperial.

Chegados ao término do projeto, coincidente com o final do ano, e apesar dos sólidos alicerces que foram criados, o trabalho não pode ser dado por concluído. A conservação da águiaimperial-ibérica em Portugal requer a aprovação de um plano de ação específico para a próxima década, que foi já elaborado e que aguarda a sua aprovação final pelo ICNF.

O LIFE Imperial é um perfeito exemplo do valor que o projeto de conservação da Natureza desta envergadura e com esta ambição pode trazer para Portugal e para o património natural de todos nós. A conservação da Natureza leva o seu tempo e requer um investimento condigno face aos desafios que enfrenta. Investimento esse que pode levar o seu tempo a dar frutos, mas que no entretanto se vê refletido na tão necessária proteção de espécies ameaçadas de extinção e na consequente valorização socioeconómica dos territórios menos favorecidos onde habitam.