A vice-presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo (CCDR Alentejo), Ana Paula Amendoeira, afirmou esta tarde que o Aviso «Inclusão pela Cultura», integrado no Programa Regional Alentejo 2030, representa uma aposta estruturante na cultura enquanto fundamento da inclusão social, da dignidade humana e da coesão das comunidades.
Nas declarações proferidas a responsável pela área da Cultura sublinhou que o reforço do financiamento, que elevou o apoio global para 9 milhões de euros, reflete não apenas uma opção política, mas também a qualidade dos projetos apresentados. «Trata-se de um investimento muito assinalável na área da cultura, sobretudo numa região onde o financiamento cultural fica historicamente muito abaixo daquilo que é necessário», afirmou.
Segundo Ana Paula Amendoeira, o facto de a dotação inicial de quatro milhões de euros ter sido mais do que duplicada demonstra uma conjugação de fatores entre visão estratégica e maturidade do tecido cultural regional. «Houve qualidade, houve visão e houve responsabilidade na apresentação dos projetos, o que obrigou ao reforço da dotação», explicou.
Cultura sem infantilização como princípio orientador
A vice-presidente da CCDR Alentejo destacou ainda que um dos aspetos distintivos das candidaturas aprovadas reside na forma como encaram a relação entre cultura e inclusão social. «A inclusão pela cultura pode resvalar facilmente para a infantilização pela cultura, sobretudo quando se trabalha com comunidades fragilizadas», alertou, acrescentando que esse risco foi evitado nos projetos agora apoiados.
Para Ana Paula Amendoeira, as iniciativas contratualizadas assumem a cultura com seriedade e responsabilidade, tratando-a como um elemento estruturante das sociedades. «A cultura é o cimento e a cola das comunidades. Está a montante de tudo. Nada se faz sem cultura e, sem ela, não há inclusão», afirmou.
A responsável considerou que esta abordagem permitirá elevar o patamar da intervenção cultural no Alentejo. «Estou absolutamente convicta de que estes projetos vão representar uma subida clara na qualidade dos projetos culturais na região», referiu.
Impacto social para além da cultura
No total, o aviso permitiu apoiar 44 projetos dirigidos a públicos diversos, incluindo pessoas idosas, comunidades em situação de vulnerabilidade e grupos em risco de exclusão social. Para a vice-presidente da CCDR Alentejo, o impacto destas iniciativas ultrapassa o domínio cultural. «Estes projetos vão fazer a diferença não apenas na cultura, mas na qualidade de vida, no humanismo, no respeito e na dignidade de quem mais precisa», afirmou.
Ana Paula Amendoeira reconheceu as dificuldades estruturais do setor cultural na região, mas defendeu que este investimento constitui um passo relevante para contrariar fragilidades sociais persistentes. «São projetos com inovação, preocupação social, humanismo e solidariedade, num contexto que muitas vezes vai em sentido contrário», sublinhou.
A cerimónia marcou o início formal da execução dos projetos apoiados, que passam agora à fase de implementação no terreno, com acompanhamento do Programa Regional Alentejo 2030.


















