O presidente da Comunidade Intermunicipal do Alto Alentejo (CIMAA), Joaquim Diogo, afirmou na BTL 2026, em declarações ao Jornal ODigital.pt, que o desenvolvimento turístico do território depende de uma estratégia conjunta entre municípios, com aposta em novos nichos como o birdwatching e no reforço da capacidade de alojamento.
À margem da Bolsa de Turismo de Lisboa, o responsável destacou que a presença do Alto Alentejo na feira visa «mostrar um pouco aquilo que são os municípios do Alto Alentejo» e evidenciar o património natural, cultural e gastronómico da região.
Estratégia conjunta para ganhar escala
Joaquim Diogo defendeu que o trabalho em rede é determinante para enfrentar desafios estruturais. «Reforçar este contexto do trabalho em rede é fundamental porque nos permite muitas das vezes ganhar escala em termos daquilo que são os recursos», afirmou.
Segundo o presidente da CIMAA, esta articulação é feita em conjunto com os municípios e, em vários casos, com a Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo, permitindo desenvolver projetos que isoladamente seriam mais difíceis de concretizar.
O autarca salientou ainda a posição geográfica do território, próximo da fronteira com Espanha, defendendo que essa centralidade pode ser uma vantagem competitiva. «Se olharmos para uma perspetiva de 100 quilómetros, quase que conseguimos chegar a Lisboa e quase conseguimos chegar a uma grande área do território espanhol», referiu.
Birdwatching como novo eixo de captação
Entre os projetos em curso, Joaquim Diogo destacou a aposta no birdwatching, com o lançamento iminente de um guia dedicado a este segmento. «Vamos lançar rapidamente um guia que vai ser também uma das nossas apostas», afirmou.
O objetivo passa por captar nichos específicos e combater a sazonalidade. «São nichos de negócio que não estão explorados e que têm interesse do público muito especial», disse, acrescentando que este tipo de oferta pode obrigar o visitante a permanecer entre dois a cinco dias no território.
Para o responsável, é necessário «ter turistas todo o ano» e criar condições para que permaneçam mais tempo, através de percursos estruturados e experiências complementares.
Aumentar capacidade de alojamento é desafio da década
Joaquim Diogo apontou como prioridade o reforço do investimento privado e o aumento do número de camas turísticas no Alto Alentejo. «Um dos próximos desafios para a década que aí vem é podermos aumentar o nosso número de camas no Alto Alentejo», afirmou.
O presidente da CIMAA referiu eventos como o Festival Internacional de Música de Marvão, o Festival do Crato ou a Festa das Flores de Campo Maior, defendendo que é necessário garantir capacidade de retenção de visitantes.
«É importante que nós tenhamos capacidade de retenção», afirmou, sublinhando a necessidade de oferecer alojamento, restauração e experiências paralelas aos eventos.
A BTL decorre até 1 de março, na FIL, em Lisboa, reunindo entidades, municípios e empresas do setor turístico nacional e internacional.


















