O incêndio de Castro Verde, iniciado a 4 de agosto, resultou em 336 hectares de área ardida e foi a ocorrência iniciada nesse mês no Alentejo que surge entre os 20 maiores incêndios rurais registados no país até dia 15.
Os dados constam do quarto Relatório Provisório de Incêndios Rurais de 2026, elaborado pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) e datado de 17 de agosto.
Incêndio de Castro Verde afetou sobretudo área agrícola
O incêndio teve início na freguesia e concelho de Castro Verde, no distrito de Beja. Dos 336 hectares contabilizados, 246 correspondem a área agrícola e 90 hectares a matos. O relatório não atribui área ardida a povoamentos florestais nesta ocorrência.
Castro Verde é a única ocorrência iniciada em agosto no Alentejo que integra a lista dos 20 maiores incêndios rurais do país apresentada pelo ICNF.
A mesma lista inclui outros três incêndios ocorridos anteriormente na região. O incêndio iniciado em Santo Aleixo da Restauração, no concelho de Moura, a 7 de junho, atingiu 653 hectares. As ocorrências de Castelo de Vide e Aljustrel, ambas iniciadas em junho, resultaram em 291 hectares de área ardida cada.
Agosto registou 723 incêndios até dia 15
Entre 1 e 15 de agosto foram contabilizados 723 incêndios rurais em Portugal continental, responsáveis por 5.149 hectares de área ardida.
A área afetada durante este período incluiu 2.547 hectares de matos, 1.762 hectares de povoamentos e 840 hectares de terrenos agrícolas.
Os valores ficaram abaixo da média registada entre 2016 e 2025 para o mesmo período. A média do decénio é de 1.301 incêndios e 44.523 hectares de área ardida durante a primeira metade de agosto.
Os dados de 2026 representam, assim, uma redução de cerca de 44% no número de incêndios e de 88% na área ardida face à média dos dez anos anteriores.
Alentejo soma 3.331 hectares ardidos desde janeiro
Os dados regionais apresentados pelo ICNF são acumulados entre 1 de janeiro e 15 de agosto e não permitem determinar o total de incêndios ou de área ardida apenas durante agosto em cada região.
Nesse período, as quatro sub-regiões do Alentejo contabilizaram 685 incêndios rurais e 3.331 hectares de área ardida. O total inclui 1.273 hectares de terrenos agrícolas, 1.132 hectares de matos e 926 hectares de povoamentos.
O Baixo Alentejo foi a sub-região alentejana com maior área ardida, com 2.139 hectares e 224 ocorrências. Este valor representa cerca de 64% da área ardida contabilizada em todo o Alentejo.
O Alto Alentejo registou 155 incêndios e 529 hectares ardidos, enquanto o Alentejo Central contabilizou 207 ocorrências e 478 hectares. No Alentejo Litoral foram registados 99 incêndios e 185 hectares de área ardida.
Évora e Moura integram listas nacionais
Évora surge entre os 20 concelhos portugueses com maior número de incêndios rurais. O concelho contabilizou 63 ocorrências e 226 hectares de área ardida entre janeiro e 15 de agosto.
Moura integra a lista dos 20 concelhos com maior área ardida. O município registou 24 incêndios e 723 hectares ardidos, dos quais 653 resultaram da ocorrência iniciada em Santo Aleixo da Restauração.
No total nacional, o ICNF contabilizou 6.388 incêndios rurais e 56.586 hectares de área ardida até 15 de agosto. Os valores são provisórios e correspondem a menos 9% de incêndios e menos 28% de área ardida face à média do período entre 2016 e 2025.















