Em 2025, os distritos de Évora, Beja e Portalegre estiveram entre os mais afetados pela queda de raios em Portugal, num ano em que o país registou 18.496 descargas nuvem-solo, segundo o Relatório de Queda de Raios 2025 da Meteorage.
Apesar de 2025 ter sido considerado o ano com menor atividade elétrica na Europa desde o início dos registos da Meteorage, o território nacional registou episódios localmente intensos, com especial incidência no outono.
Évora, Beja e Portalegre entre os distritos mais afetados
De acordo com os dados apresentados no relatório, o distrito de Beja registou 1.635 raios nuvem-solo em 2025, Portalegre contabilizou 1.408 e Évora somou 1.318 descargas.
No ranking nacional, Beja surge entre os cinco distritos com maior número de ocorrências, seguindo-se Portalegre e Évora, o que coloca o Alentejo como uma das regiões com maior exposição à atividade elétrica.
Ao nível concelhio, Montemor-o-Novo, no distrito de Évora, registou 268 raios, integrando o grupo dos dez concelhos mais afetados do país. No Baixo Alentejo, Serpa contabilizou 274 descargas, também entre os valores mais elevados a nível nacional.
Novembro concentrou quase metade da atividade anual
O relatório indica que o outono de 2025 foi marcado por um mês de novembro excecional, com cerca de 8.300 raios nuvem-solo registados em Portugal, o que representa quase metade da atividade elétrica anual.
Só no dia 5 de novembro foram detetados 5.608 raios nuvem-solo no país, um dos dias com maior registo de descargas dos últimos anos. Este episódio esteve associado à passagem de uma frente de tempestade estruturada, com forte instabilidade atmosférica.
Segundo a Meteorage, este reforço da atividade elétrica explica-se pela sucessão de anomalias depressionárias ao largo de Portugal, que geraram contrastes de massas de ar e favoreceram o desenvolvimento de tempestades frontais.
Ano menos tempestuoso na Europa, mas com risco permanente
A nível europeu, 2025 registou cerca de 1,226 milhões de raios nuvem-solo, o valor mais baixo desde o início da base de dados da Meteorage.
Em Portugal, o número total de descargas ficou abaixo de 2024, ano em que tinham sido registados 24.292 raios. Ainda assim, a entidade alerta que a redução do número anual não significa diminuição do risco.
Stéphane Schmitt, Lightning Application Expert da Meteorage, afirma que «o número de raios de um ano para o outro não reflete, por si só, o nível de perigo», sublinhando que episódios localizados podem provocar impactos relevantes em infraestruturas, atividades económicas e segurança de pessoas.
O relatório recorda ainda que, em 2025, pelo menos um incêndio florestal no distrito de Coimbra foi desencadeado por queda de raio, reforçando a necessidade de medidas de prevenção e monitorização contínua.
No contexto do Alentejo, região marcada por extensas áreas agrícolas, montado e parques eólicos, a atividade elétrica assume particular relevância na gestão do risco, sobretudo durante períodos de instabilidade atmosférica no final do verão e no outono.
O relatório da Meteorage baseia-se em dados recolhidos entre 1 de janeiro e 31 de dezembro de 2025, através de uma rede europeia de deteção de descargas atmosféricas com registos desde 1989.


















